Mortos em Mianmar já passam de 15 mil, diz TV estatal

Nargis provoca destruição e deixa milhares sem abrigo ou água potável; referendo é adiado em áreas atingidas

Agências internacionais e BBC Brasil, BBC

06 de maio de 2008 | 03h05

O ciclone tropical Nargis, que atingiu o oeste de Mianmar no sábado, deixou mais de 15 mil pessoas mortas, de acordo com a televisão estatal do país. Em entrevista à emissora, o ministro de Relações Exteriores de Mianmar, Nyan Win, disse que 10 mil pessoas morreram somente na cidade de Bogalay, a 100 quilômetros ao sul da principal cidade do país, Yangun.  Veja também:Tailândia diz que há 30 mil desaparecidos em MianmarPlebiscito é adiado nas áreas afetadas por ciclone em MianmarImagens dos estragos causados pelo Nargis Fenômeno é improvável no Brasil  Esse é o maior número de mortos em um desastre natural na Ásia desde o tsunami de dezembro de 2004, que matou 181 mil pessoas e devastou áreas costeiras na Indonésia, Tailândia e outras partes do sul e sudeste asiáticos. Mais vítimas eram encontradas à medida que equipes de socorro chegavam às ilhas e aos povoados mais afetados.Segundo Win, o governo ainda está calculando a extensão dos estragos provocados pela passagem do ciclone, e o número de mortos pode subir. O ministro disse que o governo de Mianmar está pronto para aceitar as ofertas de ajuda internacional. Os carregamentos de suprimentos para o país estão sendo preparados.   Cerca de 1 milhão de pessoas ficaram desabrigadas depois que o ciclone Nargis passou pelo delta do Rio Irrawaddy e por Rangum no sábado, com ventos de 190 km/h. O cenário em Rangum, ex-capital e principal cidade birmanesa, era de guerra, com casas e prédios destelhados, carros capotados e postes e árvores arrancados. Não havia eletricidade nem água. Crianças reviravam os escombros procurando roupas, alimentos ou qualquer coisa que pudesse ser aproveitada. Os adultos andavam de um lado para outro com baldes de plástico em busca de água ou tentavam limpar os destroços. Cinco regiões de Mianmar foram declaradas zonas de emergência depois do desastre natural.  "Ninguém nos está ajudando, absolutamente ninguém", reclamava um morador de Rangum, enquanto cortava com uma serra um tronco que bloqueava a entrada de sua loja. Não muito longe, soldados retiravam os escombros de um quartel. A polícia matou 36 detentos em um presídio de Rangum, durante uma rebelião que começou logo após o ciclone, informou na segunda um grupo de direitos humanos da Tailândia. Segundo o representante da ONU para resposta a desastres, Richard Horsey, centenas de milhares de pessoas precisam de abrigo e água potável. Horsey acrescentou, no entanto, que é impossível dizer exatamente quantas pessoas foram afetadas por causa dos estragos nas estradas e na rede telefônica.  A ONU e agências de ajuda humanitária enviaram equipes de avaliação para as áreas mais atingidas.  Ao expressar pesar pela escala do desastre, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, confirmou que funcionários das Nações Unidas se reuniram com representantes do governo de Mianmar para discutir o envio de ajuda ao país.  Os EUA, que há anos vêm impondo sanções à junta militar, liberaram US$ 250 mil em ajuda a Mianmar, por meio do Programa Mundial de Alimentos da ONU e outros grupos de ajuda. Segundo o Departamento de Estado, os EUA têm uma equipe de ajuda esperando autorização do governo birmanês para viajar para o país. Dois navios da Marinha indiana com comida, cobertores e remédios preparavam-se para zarpar para Mianmar. A Tailândia enviou um avião de carga com 9 toneladas de alimentos e remédios, após a reabertura dos aeroportos. Referendo adiadoA Junta Militar de Mianmar anunciou nesta terça que adiará a realização do plebiscito constitucional do próximo sábado nas áreas castigadas pelo ciclone tropical Nargis. Um anúncio retransmitido pela televisão estatal informou que a consulta popular acontecerá no dia 24 de maio em cerca de 50 divisões das regiões de Irrawaddy, Pegu, Yangun e nos estados de Karen e Mon, onde se mantém o estado de emergência declarado no sábado passado após a passagem da tempestade. Essas regiões abrigam cerca da metade dos 53 milhões de birmaneses. As autoridades assinalaram que o plebiscito acontecerá na data prevista no restante do país.Falta de alarmes As Nações Unidas acreditam que o alto número de mortos em Mianmar foi provocado pela falta de um sistema de alarme para evacuar a população. "Um sistema de alarme antecipado é muito importante e efetivo, pois um ciclone pode ser previsto com 48 horas de antecedência, por isso achamos que, em Mianmar, as autoridades não tinham estabelecido nenhum sistema deste tipo, que salvaria milhares de vidas", disse Brigitte Leoni, porta-voz do escritório das Nações Unidas para a Estratégia Internacional de Redução de Desastres (ISDR).A porta-voz disse que não tem informação clara sobre o assunto, mas insistiu em que as autoridades birmanesas tinham em seu poder as informações oferecidas pelos satélites meteorológicos que advertiam sobre a chegada do tufão. "Isso significa que, por não ter um sistema de comunicação e de alerta rápido, a população não foi avisada do que aconteceriar e, por isso, não saíram", disse.  (Com BBC Brasil, Associated Press e Efe)

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