Mortos por tragédia chegam a 730 no RJ;mais de 200 desaparecidos

A tragédia provocada pela chuva na região serrana do Rio de Janeiro deixou ao menos 730 mortos, e o número de pessoas desaparecidas passa de 200, segundo informaram autoridades nesta quarta-feira.

REUTERS

19 de janeiro de 2011 | 17h24

O Ministério Público do Estado divulgou levantamento indicando que há 207 pessoas desaparecidas. Segundo estimativas de autoridades de Teresópolis e Nova Friburgo, no entanto, esse número pode chegar a 300, mas os dados ainda são imprecisos, admitem. As duas cidades foram as mais castigadas, com 298 e 348 mortos, respectivamente.

As equipes de resgate ainda não conseguiram acessar todas as áreas afetadas pelo temporal, que caiu na noite do dia 11. Com a profunda mudança na geografia dos municípios provocada pela avalanche, autoridades locais admitem dificuldades no resgate de todos os soterrados.

"Há famílias que foram totalmente dizimadas. Então, não há ninguém para reivindicar o desaparecimento", afirmou Roberto Botto, assessor da Defesa Civil da cidade de Nova Friburgo.

"Com certeza, há corpos que não serão encontrados. Tem gente que literalmente sumiu", acrescentou.

Apesar das dificuldades, o trabalho segue sendo feito. "Nossa Defesa Civil e nosso Corpo de Bombeiros não pararam e não vão parar, mas há situações muito difíceis sim", afirmou à Reuters o vice-governador, Luiz Fernando Pezão.

Em Campo do Coelho, distrito de Nova Friburgo, a lama arrastada pela chuva cobriu inúmeras casas. Segundo os bombeiros, há cerca de 4 metros de lama cobrindo as casas destruídas.

Como existem relatos de corpos soterrados, o trabalho de remoção de escombros e lama é feito cirurgicamente, de acordo com os bombeiros. "Os trabalhos de resgate não têm prazo para acabar. Eles vão acontecer até que os corpos sejam encontrados", disse o coronel da Defesa Civil da cidade, Roberto Robadey.

GEOGRAFIA MODIFICADA

O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil pretendem vistoriar todas as casas da cidade depois da tragédia para analisar se estão em situação de risco. As famílias que vivem em áreas de maior perigo estão sendo removidas e levadas para abrigos.

"Estamos chegando a todas as áreas afetadas. Algumas por ar, mas a grande maioria já por terra. Hoje, Ícaro Moreno (presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado) conseguiu chegar até Village, aqui em Nova Friburgo, onde, segundo relato dos moradores, há mais de 20 carros soterrados. Aos poucos, vamos chegando a todos os pontos", disse o vice-governador.

Segundo Moreno, a geografia e a topografia da cidade de Friburgo mudaram completamente depois da avalanche.

"Córregos viraram rios largos e profundos. Há uma mudança geográfica generalizada. É como se as cidades estivessem sendo refundadas", afirmou. Segundo ele, haverá necessidade de novos planos diretores e estudos das bacias hidrográficas para se entender melhor a mudança provocada.

"A população não está mais segura em áreas de encosta como se imaginava no passado", disse Moreno.

"Estamos trabalhando intensamente e não estamos medindo esforços. Vamos fazer o trabalho até o último minuto, até o último dia para tentar resgatar todos. Mas será um trabalho difícil e de longo prazo", acrescentou.

Na serra fluminense, mais de 50 pontes foram destruídas e as Forças Armadas trabalham na reconstrução dos acessos e na instalação de pontes provisórias.

"Estamos trabalhando direto para que as cidades possam voltar à normalidade. Aqui em Nova Friburgo, estamos trabalhando na limpeza da cidade durante as noites e essa noite conseguimos limpar o hospital municipal, o que ajuda as pessoas a retomarem suas vidas", afirmou o vice-governador.

(Por Rodrigo Viga Gaier-)

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