Mosca negra se espalha em SP

Já há focos em pomares de citros de Arthur Nogueira, Cosmópolis, Engenheiro Coelho, Holambra e Limeira

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2008 | 03h59

A mosca negra dos citros começa a se expandir nos laranjais paulistas. Após a confirmação do primeiro foco em Arthur Nogueira, região de Campinas, a Coordenadoria de Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura localizou o inseto em Cosmópolis, Engenheiro Coelho e Holambra. E, na sexta-feira, em Limeira. A mosca negra (Aleuroncanthus woglumi Ashby) suga a seiva e afeta a parte vegetativa mais nova, podendo matar a planta. As previsões mais alarmistas indicam risco de perda de até 80%.No momento, o prejuízo econômico maior para os citros decorre da legislação federal, que impede o comércio de produtos vegetais provenientes dos Estados em que há a mosca. A Secretaria já solicitou ao Ministério da Agricultura a revisão da instrução normativa de 2002. Na justificativa, o argumento dos técnicos paulistas é o de que o manejo adequado, como pulverização de áreas afetadas com produtos certificados, controle no trânsito vegetal e lavagem dos frutos reduz risco de propagação.RegrasJá a certificação sanitária de origem, no caso de áreas não atingidas, assegura a sanidade dos produtos comercializados. ''Essa instrução normativa é restritiva e solicitamos que a regra esteja dentro das práticas de manejo, as quais o produtor terá de adotar a partir da oficialização da presença da mosca negra. Não podemos causar prejuízos econômicos por uma regra que pode ser melhorada e ainda assim garantir a sanidade'', diz o secretário de Agricultura, João Sampaio.A mosca negra também pode afetar as exportações de frutas cítricas in natura, segundo o diretor do Centro Experimental do Instituto Biológico (IB-Apta), Adalton Raga. ''Embora o foco das exportações brasileiras seja o suco concentrado, o País também exporta a fruta in natura, principalmente laranja, tangerina e limão taiti'', diz.Embora a mosca não ataque os frutos, estes podem entrar em contato com as larvas presentes nas folhas durante a colheita e servirem de transporte para a praga.EsperançaRaga acredita que a mosca, que na verdade está mais próxima do pulgão e da cochonilha, pode estar presente em outros pomares, além daqueles em que foi localizada, em cinco municípios paulistas. ''Provavelmente ela já estava distribuída quando foi encontrada.'' Com a varredura que a Secretaria vai realizar no Estado, podem surgir outras áreas com a praga. ''Como ela não se dissemina de forma muito rápida, nossa esperança é a de que não tenha ido muito longe.''A mosca já chegou ao Pará, Amazonas, Amapá, Maranhão, Tocantins e Goiás. Dali pode ter vindo para São Paulo, segundo Raga, provavelmente de ''carona'' numa planta frutífera ou ornamental. Ele explica que, tanto as plantas ornamentais quanto outras frutíferas e até mudas de café são hospedeiras.''No caso das mudas cítricas, o risco é menor porque São Paulo só produz em viveiros protegidos com tela.'' Mas a contaminação pode ocorrer no transporte. Por causa disso, a presença da mosca negra em Holambra também pode prejudicar as exportações de flores, importantes para a economia local. As estufas de produção de flores são abertas lateralmente e muitas propriedades têm também pomar de citros.Raga recomenda que os produtores de cítricos inspecionem seus pomares, pois é fácil identificar a praga. ''Além de a própria mosca ser visível, ela deixa sintomas do ataque.'' Ele conta que o inseto se alimenta muito mais do que necessita e excreta uma grande quantidade de seiva, sobre a qual cresce um fungo natural. ''Nesse local se forma uma mancha escura que é visível de longe.'' Ao constatar o sintoma, o produtor deve procurar a assistência da Secretaria para adotar medidas de controle.Informações: IB, tel. (0--11) 3252-8342

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