Motoboy acusa policiais de receber propina de máfia

Um novo depoimento deve reabrir as investigações sobre o caso do advogado Jamil Chokr, com quem policiais militares apreenderam uma suposta lista de propina paga a policiais civis de São Paulo pela máfia dos caça-níqueis. A testemunha é o motoboy Cleverson Rodrigo Camargo Ricardo, acusado de ter tentado matar o advogado durante um assalto, em maio de 2007, que terminou em acidente de trânsito. Em troca da delação premiada, Ricardo contou aos promotores o que supostamente sabia sobre o funcionamento da máfia dos caça-níqueis e o pagamento de propina a policiais. Ao socorrer Chokr, ferido ao bater seu carro blindado, a PM descobriu a contabilidade e envelopes com dinheiro supostamente para serem entregues a policiais. O motoboy foi ouvido no dia 17 de setembro pelos promotores do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo. Segundo ele, Chokr é conhecido por recolher dinheiro dos donos de caça-níqueis para pagar propina a policiais. A defesa de Chokr não foi localizada ontem. Em entrevista concedida ao jornal O Estado de S.Paulo em junho de 2007, o advogado afirmou nunca ter pago propina a policiais. Já o motoboy afirmou que conhecia Chokr e disse que viu o advogado com R$ 60 mil que seriam usados para distribuir a policiais corruptos. Disse que o dinheiro era entregue aos policiais em um shopping na zona norte, em postos de gasolina e em uma empresa de blindagem. O motoboy disse que recebia cerca de R$ 1,5 mil da máfia dos caça-níqueis para fazer o serviço de entrega do dinheiro e ganhava ainda ?caixinha dos policiais civis? pela entrega do dinheiro. Ricardo contou que a coleta do dinheiro com os donos de caça-níqueis ocorria entre os dias 20 e 30 de cada mês e a propina era paga aos policiais a partir do dia 5. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

AE, Agencia Estado

16 Dezembro 2008 | 08h19

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