Motorista alega legítima defesa em agressão no RJ

O aposentado Itamar Campos Paiva, de 45 anos, se entregou hoje à polícia e disse ter agredido em legítima defesa na sexta-feira o gerente de compras André Luiz Reuter Lima, de 45, com um golpe de barra de ferro na cabeça, após uma discussão de trânsito na Tijuca, na zona norte do Rio. A vítima passou hoje por exames, mas permanece internado em coma induzido. "Na versão do acusado, ele avançou o sinal amarelo, foi xingado, perseguido e a vítima deu chutes em seu carro. Ao sair do veículo, ele levou um soco na boca e se defendeu golpeando a vítima na cabeça", disse o delegado-titular da 19ª Delegacia de Polícia da Tijuca, Walter Alves de Oliveira. Paiva, que possui quatro passagens pela polícia por agressão, ficará preso temporariamente. Ele foi indiciado por tentativa de homicídio. A mulher dele reconheceu em depoimento que não viu o marido ser agredido pela vítima. "Ela afirmou que apenas constatou uma lesão na boca de Paiva quando ele voltou para o carro, por isso ele passará por um exame de corpo de delito", afirmou o delegado. No entanto, o policial ressaltou que a versão do casal não combina com o depoimentos dos filhos da vítima, de 13 e 14 anos, que presenciaram a agressão. "Eles contam que o agressor deu ré duas vezes tentando atropelar o grupo após ser xingado de ''palhaço''. Em seguida, saiu do carro com a barra de ferro e agrediu o pai deles", revelou o delegado, que anunciou uma reconstituição do crime com a presença das crianças nos próximos dias.Após a agressão, Paiva disse à polícia que dormiu com a mulher em motéis todos os dias. Um amigo dele, morador de Guadalupe (zona oeste), prestou depoimento e confessou que jogou a arma do crime em um rio. "Ele sabia que a arma, uma barra de transmissão de caminhão, foi usada para o crime e pode ser indiciado por ocultar provas", adiantou o delegado. Oliveira anunciou que não pretende levar em consideração o fato de o acusado ter sido aposentado por esquizofrenia. "Ele prestou depoimento lúcido e acompanhado por um advogado. Não foi um crime premeditado, mas foi um ato consciente", declarou o policial. O advogado do aposentado disse que o cliente reconheceu a culpa, mas não teve a intenção de matar. "Há um constrangimento total, um arrependimento. Vou trabalhar para mostrar que isso foi um acidente de percurso", disse Clayton Caetano. Hoje, familiares da vítima se disseram aliviados com a prisão do agressor.

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