Motorista de van pede perdão a famílias de vítimas no RJ

O motorista Carlos Alberto de Souza, de 57 anos, que dirigia a van escolar em que morreram quatro alunos do Colégio Pedro II, já havia sido multado duas vezes por excesso de velocidade e uma vez por transporte escolar ilegal. Indiciado por quatro homicídios culposos (sem intenção) e seis lesões corporais culposas, hoje ele foi libertado por força de um habeas-corpus. Souza pediu perdão às famílias das crianças que transportava e negou culpa no acidente, em que seu veículo se chocou contra um reboque. Dos seis alunos feridos, quatro permanecem internados. Um deles em estado gravíssimo.

CLARISSA THOMÉ, Agencia Estado

02 Julho 2009 | 19h52

Abatido e emocionado, Souza referiu-se aos alunos como seus "anjinhos". "Tem crianças ali que eu transportava há 8 anos e eu os tinha como meus filhos. Vi estas crianças crescerem", afirmou. Souza contou que estava na pista do meio da Linha Vermelha e foi para a esquerda. Ele tentava voltar para pista central, quando um ônibus teria se antecipado. "O ônibus acabou me pressionando e eu tive que voltar rapidamente para a esquerda. Dei de cara com o reboque. Não deu tempo nem de frear. Foi horrível para mim. Tirei algumas crianças do carro, mas depois não deixaram eu mexer mais. Foi muito triste. Peço perdão a quem teve as suas perdas, gostaria que o tempo voltasse para trás, mas eu não posso, infelizmente".

Em depoimento à polícia, Souza disse que trafegava a 40 quilômetros por hora e que o pisca alerta do reboque não havia sido acionado. A informação é contestada pelo motorista do reboque e pelo motorista do veículo, que chamou o socorro. Souza disse ainda que pagava R$ 76 mensais para fazer parte do cadastro da Associação de Pais do Pedro II.

A direção do colégio informou que não sabia que havia cobrança de cadastro e decidiu convocar uma reunião para debater o transporte escolar. "O transporte escolar é feito por contrato particular entre os pais e os motoristas. O Pedro II não tem qualquer responsabilidade por esse serviço", afirmou o diretor Gentil Machado.

Os corpos das quatro crianças mortas no acidente - Raiane da Silva Souza, de 14 anos, Esther Reis Fernandes da Rocha, de 8 anos, ambas filhas únicas, Vinícius Lopes da Silva, de 11, e André Lucas Couto Teles, de 7 - foram enterrados na tarde de hoje. Entre as crianças internadas, o caso mais grave é o de Mateus Couto Teles, de 8 anos, irmão de André Lucas. Ele está na UTI dos Hospital Miguel Couto e corre risco de morte. O menino respira com auxílio de aparelhos e teve traumatismo craniano e múltiplas fraturas pelo corpo.

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