Motorista usa artifício para passar na inspeção veicular

Técnica de 'maquiar' motor diminui a potência, consequentemente reduzindo a emissão de fumaça

Da Redação, Agência Estado

07 Janeiro 2009 | 07h26

O alto índice de reprovação na inspeção veicular obrigatória para veículos a diesel - 37% até 31 de dezembro - está fazendo muitos motoristas usarem artifícios para não serem barrados. O mais comum é "maquiar" as caminhonetes e caminhões para o momento da análise, principalmente reduzindo a abertura da bomba injetora de combustível. Dessa forma, diminui a potência do motor e, consequentemente, a emissão de fumaça. Logo após aprovados, os veículos são levados às oficinas para retornar ao estado original.   Veja também: Tire suas dúvidas sobre a inspeção veicular obrigatória Tabela para cálculo do IPVA de 2009 é divulgada em SP Site para agendar a inspeção Mais informações sobre o programa no site da Prefeitura    "A gente não aconselha os clientes a tomarem essas medidas, porque pode prejudicar os veículos e eles podem receber grandes multas. Mas a inspeção está barrando até veículos em perfeito estado, então eles precisam fazer alguma coisa", diz Leandro João Conti, proprietário da Mecânica Injediesel Mourão, na zona leste de São Paulo.   Após o início da inspeção veicular, as oficinas mecânicas registraram em média um aumento de 30% na busca pelo serviço. Os proprietários, no entanto, reclamam que o trabalho feito pela Controlar - consórcio responsável pelas inspeções - está sendo feito de uma forma errada, sem levar em conta as especificidades de cada veículo. "Os limites permitidos não são adequados aos padrões que estão previstos no manual de cada veículo", diz o encarregado de oficina de uma concessionária de caminhonetes de luxo.   Ele conta que precisa ir em média três vezes por mês ao centro de inspeção do Jaguaré acompanhando os clientes para discutir com os funcionários da Controlar os padrões corretos. Além disso, as caminhonetes que vão à concessionária começaram a passar por uma "adequação do débito de combustível" para serem aprovadas, que significa regular o volume de combustível que é injetado no motor . "Acontece que essas caminhonetes são carros fortes, então elas mal andam desse modo. Por isso eles voltam aqui depois para serem ajustadas." Ele, no entanto, diz que os veículos continuam adequados com o padrão exigido pelo Município, sem poluir o ambiente.   O diretor-executivo da Controlar, Eduardo Rosin, nega que os técnicos da companhia estejam atuando de maneira errada. "É um programa novo e há uma desinformação geral. As concessionárias estão com dificuldades para se adequar. Todo mundo sabe que existe uma falha na comunicação entre as montadoras e as concessionárias e muitas vezes o que está no manual já não é o ideal para o veículo", diz.   Os proprietários de veículos também reclamam que os funcionários da Controlar não informam os problemas nas reprovações. O motorista de van escolar Cássio Eduardo Martins teve seu veículo reprovado em julho do ano passado, menos de seis meses depois de ter comprado 0 km na concessionária. "Ele tinha menos de 7 mil quilômetros rodados e estava até na garantia", diz.   Martins voltou à concessionária para fazer uma manutenção. Ele escutou da equipe que nada seria feito, pois o carro estava em perfeito estado. "Um me dizia que o carro estava perfeito e o outro reprovava. E eu sem saber o que fazer". A única medida tomada por ele foi trocar o local de abastecimento de combustível. "Eu pesquisei na internet qual era o melhor óleo diesel do Brasil. Após 15 dias, meu carro foi aprovado."   Agendamentos   O site e o telefone disponibilizados pela Controlar para os agendamentos da inspeção - obrigatória neste ano para todos os veículos fabricados entre 2003 e 2008 - voltaram a apresentar problemas ontem. A empresa informou que melhorou o atendimento, aumentando de 200 para 3 mil a capacidade de acessos por minuto do site. No entanto, a medida foi insuficiente e poucos conseguiram acesso.   De acordo com Eduardo Rosin, a demora de até dez minutos nas ligações pelo telefone 3545-6868 é consequência das falhas do sistema online. "O banco de dados do site e do atendimento telefônico é o mesmo, então um prejudicou o outro", diz.

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