MP de São Paulo denuncia policiais por achaque ao PCC

Os investigadores Augusto Pena e José Roberto Araújo foram denunciados ontem por seqüestro, corrupção passiva e facilitação de fuga. Além deles, outros cinco suspeitos foram acusados: um policial, um informante e três integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Trata-se da primeira ação do Ministério Público Estadual (MPE) por causa do escândalo dos achaques contra a cúpula da facção, que levaram à queda do secretário-adjunto de Segurança Lauro Malheiros Neto. Os acusados alegam inocência. O MPE pediu que os acusados, já presos, assim permaneçam até o julgamento. Segundo a denúncia dos promotores José Barbuto, Marcelo Oliveira e Silvio Loubeh, do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco), de Guarulhos, em 30 de março de 2005, os investigadores Araújo e Pena e o informante Carlos Alberto dos Santos, o Carlinhos, seqüestraram Rodrigo Olivatto de Morais, de 28 anos, enteado do líder do PCC Marco Camacho, o Marcola. Pena e Araújo trabalhavam na Delegacia de Suzano, onde a vítima ficou em cativeiro.Por meio de escutas telefônicas, eles descobriram o esquema que habilitava celulares para o PCC e detiveram Rodrigo, mas não informaram a Justiça. Os CDs com as conversas foram entregues ao MPE pela testemunha Regina Célia de Carvalho, ex-mulher de Pena. No começo, os policiais exigiram R$ 1 milhão, valor reduzido para R$ 300 mil. Pena e Araújo deram ainda R$ 6 mil ao investigador Valdomiro Pereira da Silva. Este contou que participou das diligências, pensando que tudo era legal. Por ter aceito o dinheiro, Mirinho foi denunciado por corrupção passiva.Os promotores ainda acusam Pena e Araújo de receber R$ 40 mil para facilitar a fuga do traficante Gilmar da Hora Lisboa, o Pebinha. O descumprimento desse acerto provocou sete mortes em Suzano. Pebinha e dois comparsas foram acusados de corrupção ativa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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