MP do RJ denuncia à Justiça 22 PMs e 10 policiais civis

O Ministério Público do Estado denunciou hoje à Justiça 22 policiais militares, 10 policiais civis e mais 11 pessoas investigadas na Operação Guilhotina, da Polícia Federal (PF), que derrubou na última terça-feira o então chefe da Polícia Civil do Rio, Allan Turnowski.

PEDRO DANTAS, FELIPE WERNECK E BRUNO BOGHOSSIAN, Agência Estado

18 de fevereiro de 2011 | 20h09

Segundo a denúncia, os policiais formavam quatro grupos criminosos que atuavam de maneira independente, "mas sempre se utilizando das facilidades proporcionadas pelos cargos públicos que exerciam". Eles são acusados de crimes como formação de quadrilha ou bando, corrupção passiva e/ou ativa, peculato e violação de sigilo funcional.

De acordo com o MP, o delegado Carlos Antonio Oliveira, um dos presos, "galgou altos postos na hierarquia policial, sendo o responsável por facilitar as atividades ilícitas do grupo". "Atuava controlando as autoridades policiais das delegacias nas quais os milicianos exerciam suas funções, de modo a permitir as empreitadas delituosas para a aquisição de armas e outros espólios de guerra", aponta o MP.

No grupo de Oliveira, 20 foram denunciados: policiais, traficantes e pessoas que controlavam serviços como transporte alternativo, segurança privada, "gatonet" e distribuição de gás e água na Favela Roquete Pinto, em Ramos, na zona norte. Um dos denunciados, o inspetor Christiano Gaspar Fernandes, foi o pivô do indiciamento de Turnowski, ontem, sob suspeita de violação de sigilo funcional (vazamento de informação). Nesse caso, o MP ainda não definiu se vai oferecer denúncia.

Segundo a PF, Turnowski ligou para o inspetor, que era chefe de investigação da 22.ª DP, na Penha, para avisar sobre a investigação federal. Christiano foi denunciado como chefe da milícia na Roquete Pinto. O grupo é acusado de faturar desde comissões em transações imobiliárias na favela até a cobrança de estacionamento no Piscinão de Ramos. "Entre 2005 e em 2008, parte do grupo apropriou-se de armas e munições, algumas para serem revendidas e outras para o uso próprio", aponta o MP. Ao deixar a subchefia de Polícia Civil, em abril de 2010, Oliveira teria levado parte do grupo para a Secretaria de Ordem Pública da Prefeitura do Rio.

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