MP investiga carga de trabalho em hospital

Objetivo é saber rotina de funcionários do Vera Cruz, onde 3 pacientes morreram após exame de ressonância magnética

RICARDO BRANDT / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2013 | 02h06

O Ministério Público do Trabalho fiscalizou na manhã de ontem o centro radiológico que funciona no Hospital Vera Cruz, em Campinas, interior de São Paulo, onde três pessoas morreram na semana passada após se submeterem a exames de ressonância magnética no crânio. O objetivo é investigar se os profissionais cumpriam jornada de trabalho acima do definido pela legislação.

Segundo Catarina von Zuben, procuradora-chefe em Campinas, que esteve no centro com uma equipe do Ministério Público para a fiscalização, outro objetivo é apurar como estavam as condições de trabalho no local, principalmente no dia 28, quando as mortes ocorreram.

A procuradora afirmou que há uma preocupação em relação aos funcionários do centro, que estão prestando depoimentos e podem estar esgotados e vulneráveis com toda a situação.

Os documentos que foram solicitados sobre a jornada de trabalho dos funcionários devem ser entregues até a tarde de hoje. Depois de analisar o material, o Ministério Público decidirá se vai abrir inquérito para investigar o centro radiológico.

"O caso em questão resultou na alta exposição dos empregados do centro radiológico, e isso preocupa o Ministério Público. Vamos atuar para garantir um meio ambiente de trabalho sadio e seguro para esses trabalhadores", afirmou Catarina.

A assessoria de imprensa do Centro Radiológico Campinas, que funciona no Vera Cruz, informou que toda a documentação solicitada pela procuradora será entregue no prazo e ressaltou que não há irregularidades.

Apuração. A Polícia Civil e uma equipe multidisciplinar de saúde investigam as causas da morte dos três pacientes.

Até agora, as suspeitas são de que eles tenham sido intoxicados por uma substância química que foi injetada durante a aplicação do contraste (produto utilizado nos exames para melhorar a qualidade das imagens e do diagnóstico). As investigações não apontam se a substância foi injetada de propósito, acidentalmente ou involuntariamente.

As Secretarias de Saúde de Campinas e do Estado interditaram cautelarmente os lotes de produtos utilizados nos exames de ressonância magnética usados no hospital de Campinas. São quatro marcas de soro e duas de gadolínio

Na sexta-feira, resultados iniciais do Instituto Adolfo Lutz descartaram a presença de bactéria nos soros usados na aplicação de contraste, apontando para uma possível ocorrência de erro de procedimentos. Especialistas da Anvisa e do município descartaram a hipótese de superdosagem de contraste.

Na primeira coletiva de imprensa feita pelo grupo que apura o caso, as autoridades de saúde e policiais voltaram a afirmar que o caso é "um mistério".

As vítimas não apresentavam problemas de saúde, segundo a direção do hospital. O ponto em comum foi que os três passaram pelo mesmo tipo de exame: uma ressonância magnética do crânio com uso de contraste.

Minutos depois do exame, duas das vítimas - Pedro Ribeiro Porto Filho, de 36 anos, Manuel Pereira de Souza, de 39 - passaram mal e tiveram uma parada cardiorrespiratória, ainda dentro do Vera Cruz, hospital particular referência em Campinas.

A terceira vítima, Mayra Cristina Monteiro, de 25, chegou a sair do hospital e ir para o trabalho. Ela se sentiu mal e acabou voltando para o hospital, onde morreu.

A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde, Brigina Kemp, explicou que a substância química injetada provocou uma reação hepática aguda, causando parada cardiorrespiratória e levando os pacientes à morte.

Os primeiros resultados conclusivos dos corpos das vítimas e do material apreendido devem ser divulgados nesta semana.

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