MP investiga mortes em hospital do DF

Inversão no tubo de oxigênio deu ar comprimido a pacientes de um mesmo leito; 13 morreram

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2012 | 03h02

Na mira do Ministério Público, que vai investigar mortes em UTI de hospital público na periferia de Brasília aparentemente causadas por erro na tubulação de oxigênio entre julho e janeiro, o secretário de Saúde do Distrito Federal, Rafael Barbosa, disse que dos 13 pacientes mortos após passar pelo leito com suspeita de problemas, 4 tiveram mortes que "ocorreram dentro da expectativa da evolução dos quadros".

Segundo Barbosa, que é médico, a média de idade dos pacientes era de 70 anos e o tempo de internação, de 14 dias. Tais fatos teriam sido determinantes para os óbitos.

No período em questão, 13 pacientes que ocuparam o leito 19 do Hospital de Santa Maria, cidade a 30 quilômetros de Brasília, podem ter morrido pela troca dos tubos de oxigênio por tubos de ar comprimido. Esses pacientes apresentavam sempre mais dificuldade de recuperação.

Relatório do hospital confirma que a tubulação do leito 19 foi invertida. O diretor administrativo da unidade, Ivan Rodrigues, disse acreditar que o descuido tenha sido mesmo a causa das mortes: "Se está colocando ar comprimido, ar de colocar no pneu do carro, para paciente... Oxigênio é 100% oxigênio. Ar comprimido é ar comprimido. Então não tem como dizer que o paciente não morreu por causa disso", afirmou.

A Polícia Civil do Distrito Federal também iniciou uma investigação, com o objetivo de verificar se houve alguma falha que pudesse ocasionar os óbitos desses pacientes. O hospital possui cem leitos de UTI, que é uma das maiores do País.

De acordo com a secretaria, a UTI de Santa Maria funciona por meio de contrato de gestão com uma empresa privada. Uma nova licitação está prevista para ser aberta a fim de dar continuidade ao serviço de UTI.

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