MP investiga pílulas para emagrecer fabricadas em MG

O Ministério Publico de Minas Gerais encontrou, na manhã desta segunda-feira, documentos que comprovam a comercialização dos controladores de apetite Emagrece Sim e Herbathin em pelo menos dois estados brasileiros (São Paulo e Maranhão). A venda dos produtos foi proibida nos Estados Unidos após um estudo realizado pelo Food and Drug Administration (FDA) - agência norte-americana que fiscaliza a qualidade de alimentos e remédios no País -, que apontou na fórmula a presença de anfetaminas e tranqüilizantes, substâncias que não podem ser misturadas.A comercialização no Brasil é proibida. Porém, os kits dos complementos para dieta alimentar, vendidos através da internet, passaram a ser encontrados até em camelôs no Reino Unido, Venezuela, República Dominicana, Peru, Panamá e Estados Unidos. Com um mandado de busca e apreensão, expedido pela Justiça, dois promotores, representantes da vigilância sanitária e agentes da Polícia Federal, entraram no laboratório, instalado no bairro Jardim Riacho das Pedras, em Contagem, na Grande Belo Horizonte. "Há indícios de crime, pois encontramos notas fiscais que comprovam a comercialização dos produtos em alguns estados, entre eles São Paulo e Maranhão", afirma o promotor Gilmar de Assis.Policiais militares passaram a madrugada de ontem em frente ao laboratório para garantir que nenhum material fosse retirado do lugar. Foram apreendidos documentos, equipamentos e produtos usados na fabricação dos remédios. "Encontramos pelo menos um reagente que é a acetona. E o reagente químico é o precursor de qualquer droga. E a gente quer saber em que esses reagentes estavam sendo utilizados num laboratório que trabalha com produtos naturais", disse Teresinha Povoa, diretora da Vigilância Sanitária.Apesar dos documentos e reagentes encontrados na empresa, Assoeiro Silas Amaral, que se identificou como assessor do laboratório, negou a comercialização dos produtos no Brasil. De acordo com o assessor, a fábrica, aberta em março do ano passado, está parada há três meses, aguardando registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para poder voltar a funcionar. "As autoridades não encontraram nenhum produto no laboratório, prova de que não estamos funcionando", justifica Amaral, sem explicar o funcionamento normal do site da empresa. Na semana passada, a FDA inseriu um aviso no site da empresa alertando aos consumidores sobre os produtos. Testes feitos em um hospital de Miami, concluíram que, ao contrário do que a empresa afirma, os produtos não são 100% naturais. Em Belo Horizonte, um laudo da Fundação Ezequiel Dias (Funed), de 20 de dezembro de 2005, atesta a presença de duas anfetaminas, substâncias que podem causar dependências física e psíquica. No Brasil, essas substâncias só podem ser vendidas com receita azul por serem de uso controlado. "Infelizmente, essas duas fórmulas testadas são de medicamentos falsificados. Hoje, temos notícia que existem pelo menos 19 cópias do nosso produto no mercado. A fórmula testada na Funed, para se ter idéia, não apresentou extrato de tomate que está presente na fórmula original do produto", revela Amaral.Segundo o assessor do laboratório, os produtos ´piratas´ são encontrados até em farmácias nos Estados Unidos. Custando entre US$ 140 e US$ 230, as pílulas não trazem na embalagem sequer o nome do fabricante ou do distribuidor. Apesar de conterem anfetaminas e tranqüilizantes, são vendidas sem prescrição médica. No site do laboratório, Claudina Bonfim, proprietária da empresa, que se encontra na Venezuela a negócios, diz que "o Emagrece Sim é um fitoterápico que pode ser associado a qualquer dieta. Auxilia na digestão, além de suprir o organismo de vitaminas, cálcio e ferro". Durante o tratamento, ainda segundo a empresária, o usuário mantém a elasticidade da pele e não sente fome. "Nossos clientes são pessoas que desejam emagrecer com saúde", garante.Além do laboratório, o Ministério Público fez buscas em uma farmácia de manipulação da família, instalada no bairro São Bento, região nobre da capital mineira, e em uma outra farmácia, em Contagem, que estava fechada. Porém, nada foi encontrado.

Agencia Estado,

17 de janeiro de 2006 | 22h16

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