MP-RJ busca acabar com operações de milícias

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) vai desencadear operações para quebrar o esquema de lavagem de dinheiro dos grupos milicianos que atuam no Estado. Apesar da prisão dos principais líderes das quadrilhas de paramilitares, as atividades de controle de vans, venda ilegal de gás, gatonet (sinal pirata de TV a cabo) e cobrança extorsiva de taxas de proteção ainda rendem milhões de reais por mês para esses grupos.

ALFREDO JUNQUEIRA, Agência Estado

15 de abril de 2011 | 18h37

Levantamento patrimonial de milicianos, seus parentes e laranjas está sendo feito. O MP ainda trabalha na quebra de sigilo bancário e na análise dos dados de movimentação financeira dos paramilitares para, nas palavras do subprocurador geral de Justiça de Atribuição Originária Institucional e Judicial, Antonio José Campos Moreira, "fechar o quebra-cabeça" do funcionamento dessas quadrilhas.

O objetivo é identificar o caminho do dinheiro das milícias. "Esse é o segundo momento do trabalho de investigação", explicou Moreira. "Além da questão paramilitar, esses grupos funcionam como empresas ilegais que exploram serviços que poderiam ser explorados de maneira lícita se houvesse interesse", afirmou o subprocurador geral.

De acordo com as investigações preliminares do MP fluminense, os esquemas de lavagem das milícias são, muitas vezes, rudimentares. Eles se utilizam, principalmente, de associações de moradores, centros sociais e laranjas. Não há dados oficiais sobre o faturamento das milícias que atuam no Rio. De acordo com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa que investigou as atividades dessas quadrilhas, somente o grupo conhecido como "Liga da Justiça", considerado o maior que já atuou no Estado, lucrava em torno de R$ 2 milhões por mês.

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