MP-SC denuncia ex-cônsul espanhol por explorar jogo

A quadrilha, segundo o MP, utilizava mais de 34 empresas, algumas de fachada para lavar dinheiro

Solange Spigliatti, estadao.com.br

16 Julho 2008 | 11h34

O Ministério Público Federal em Santa Catarina denunciou oito envolvidos na Operação Cartada Final, deflagrada no dia 4 de junho e que desmantelou uma quadrilha especializada na exploração de jogos de azar, entre eles o ex-cônsul honorário da Espanha Antônio Escorza Antoñanzas. Segundo o MPF, ele exercia o cargo equivalente a um diretor-presidente da organização criminosa, que se dedicava a montar máquinas de jogos de azar para serem distribuídas em diversos Estados do País e no exterior. A remuneração era garantida através do controle exercido por gerentes regionais e do monopólio da assistência técnica às máquinas, mantendo pessoal especializado para prestar assessoria aos clientes da organização e para resolver eventuais problemas técnicos que surgissem. A quadrilha, segundo o MP, utilizava mais de 34 empresas, algumas de fachada. Escorza possuiria, também, várias empresas no exterior, além de offshores em paraísos fiscais.A organização, sediada em Joinville, tinha máquinas em outros municípios de Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro (já denunciados na Operação Ouro de Tolo) e em outros Estados. No Nordeste, por exemplo, havia um gerente exclusivo para a atuar na região. As máquinas caça-níqueis também eram exportadas para o México, República Dominicana, Panamá, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Argentina, Paraguai e Espanha, através de contratos de câmbio com informações falsas, do material exportado, de seu valor e do próprio efetivo exportador.Os denunciados buscavam burlar a fiscalização federal, pois com o valor subfaturado, diminuía a incidência de impostos. O complemento para o valor real das máquinas era depositado em contas da organização no exterior, geralmente em offshores. A organização cobrava, na maior parte das vezes, 50% do lucro que elas proporcionavam. Exames financeiros demonstraram que em cerca de 11 meses uma das empresas da organização recebeu depósitos em cheque e em espécie, sem identificação dos depositantes, efetuados nos Estados de Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, no valor de R$ 5,5 milhões.

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