MP-SP considera ilegal construção de túnel na zona sul

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) considera ilegal a construção do túnel de 2,4 quilômetros entre a Avenida Jornalista Roberto Marinho e a Rodovia dos Imigrantes e promete ir à Justiça para barrar a obra de R$ 3,7 bilhões. A manifestação feita ontem pelo promotor de Habitação Maurício Antonio Ribeiro Lopes, em audiência pública na Câmara, põe outro entrave a um dos principais projetos de Gilberto Kassab (PSD).

AE, Agência Estado

29 Abril 2011 | 10h00

Para o MP, no novo projeto enviado à Câmara no início do ano, que prevê remover dez mil famílias das margens do Córrego Água Espraiada, o governo não atualiza o impacto ambiental da obra - que levou em consideração um túnel de até 3,7 km de extensão, não os 2,4 km atuais. "Vemos que 79% do traçado está fora do perímetro da Operação Urbana Água Espraiada. E investir verba vultosa em projeto que privilegia transporte individual é uma afronta ao Plano Diretor", disse Lopes.

Para o promotor, outro problema é que os moradores que serão desapropriados nas ocupações já estão sendo notificados. "Como isso pode ocorrer se a obra ainda é um projeto passível de mudanças?", questionou. O túnel também é questionado pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), que apontou 64 irregularidades no projeto e impediu a conclusão da licitação. A obra deveria ter começado em setembro, mas, com os problemas jurídicos, continua sem previsão.

Técnicos do governo defenderam a legalidade e a importância da obra na audiência. "Queremos dar moradia digna para 7,5 mil famílias que vivem em habitações precárias na beira do córrego. Também é do interesse da cidade recuperar essa área de manancial com um parque", defendeu Rosa Maria Miraldo, da SPUrbanismo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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