MP vai investigar morte de cães em Sorocaba

O promotor de Justiça Jorge Alberto de Oliveira Marum, curador do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual em Sorocaba, abriu inquérito civil nesta quinta para apurar denúncia da matança de cães no Centro de Zoonoses da cidade. O promotor deu à prefeitura prazo de 30 dias para prestar as informações sobre o caso. De acordo com a denúncia de organizações não-governamentais, trinta cães que estavam abrigados no centro de zoonoses municipal teriam sido mortos com emprego de meio cruel.

ELIETE GUEDES, Agência Estado

19 de julho de 2012 | 20h11

Fotos postadas em redes sociais mostram os animais mortos ao lado de uma morsa, um aparelho de ferro usado para prender e prensar peças e componentes. As postagens sugerem que os animais teriam sido mortos mediante prensagem. A prefeitura informou que a morsa é usada para prender o animal já morto e possibilitar a retirada de parte do cérebro. A medida é necessária para o diagnóstico epidemiológico da raiva, procedimento adotado em toda unidade do gênero. De acordo com o prefeito Vitor Lippi (PSDB) a foto foi usada para induzir as pessoas a erro e, segundo ele, o caso está sendo usado com fim eleitoral. Os animais, sendo três cães adultos e 27 filhotes, foram encontrados mortos na unidade de controle do Centro de Zoonoses.

De acordo com Honno Marques, do Instituto Cahon e da Comissão de Justiça e Direito dos Animais de Sorocaba, na quarta-feira os cães estavam vivos e aparentavam estarem saudáveis. Mesmo assim, foram separados dos demais e levados para os fundos do centro. Ao saber que os bichos tinham sido sacrificados, ele entrou em contato com outras entidades de defesa dos animais. Representantes de cinco ONGs formalizaram denúncia à Polícia Civil. A polícia recolheu cinco cães mortos para autópsia. Os laudos devem ficar prontos em 15 dias. De acordo com a delegada Cássia Almagro, que acompanhou a vistoria ao Centro de Zoonoses, se os exames comprovarem que os animais estavam saudáveis, os responsáveis serão enquadrados no artigo 32 da Lei 9.605, que pune abusos e maus tratos contra animais. A pena prevista vai de quatro meses a um ano e quatro meses de prisão.

O prefeito de Sorocaba, Vitor Lippi (PSDB) convocou uma coletiva de imprensa para explicar a morte dos cães. Segundo ele, os veterinários do Centro de Zoonoses constataram que a maioria dos animais estava com cinomose, doença altamente contagiosa, por isso foram submetidos ao processo de eutanásia, conforme as normas estaduais e federais. Segundo ele, os animais foram sacrificados com a aplicação de injeção letal. Outros cães já chegaram à unidade em precárias condições de saúde, entre eles, alguns animais atropelados. Os animais mortos são conservados num freezer até serem removidos para deposição em aterro sanitários. Entidades de defesa dos animais anunciaram a realização de um protesto, nesta sexta, em frente ao Centro de Zoonoses.

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