MPE pede exumação de mortos em conflito na Syngenta

A juíza da 1ª Vara Criminal da Comarca de Cascavel (PR), Sandra Regina Bittencourt Simões, deferiu ontem pedido de exumação dos corpos do líder sem-terra Valmir Motta de Oliveira e do segurança Fábio Ferreira, mortos durante confronto entre MST e seguranças em fazenda da Syngenta Seeds no dia 21 de outubro em Santa Tereza do Oeste. O pedido foi formulado pelo Ministério Público Estadual, que considera os laudos apresentados falhos para esclarecer se houve ou não execução das vítimas. A execução do líder sem-terra e do segurança é uma das linhas investigadas pelo delegado do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Renato Bastos Figueiroa. De acordo com o pedido do Ministério Público, os exames cadavéricos de ambos indicam apenas ferimentos provocados por armas de fogo, sem citar detalhes ou outras escoriações relatadas por testemunhas no inquérito policial em curso. Para o Ministério Público, são imprescindíveis novos exames para identificar o ângulo provável da entrada dos tiros nos corpos das vítimas. "Sem qualquer dúvida, há necessidade da exumação. Os laudos de necropsia de Fábio Ferreira e Valmir da Motta são omissos e dificultam a coleta da verdade", disse a juíza. Ela concedeu um prazo de 48 horas para a Polícia Civil proceder à exumação dos cadáveres. O corpo de Motta está enterrado em Cascavel e o do segurança, em Santa Tereza do Oeste. A exumação deve acontecer entre sexta-feira e sábado. Os sete seguranças presos pelo envolvimento na morte de Valmir Motta deixaram a prisão ontem. Eles vão responder o processo em liberdade.

MIGUEL PORTELA, Agencia Estado

31 de outubro de 2007 | 19h20

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