MPF denuncia 5 por vazamento no Enem

O procurador da República Oscar Costa Filho diz que itens do pré-teste do Enem 2011 podem ter vazado em outras escolas de Fortaleza, além do Christus. Segundo ele, só na capital cearense, 30 colégios foram locais de pré-teste e os coordenadores das unidades tiveram acesso aos cadernos de questões. Ontem o Ministério Público Federal ofereceu denúncias contra cinco pessoas no caso do vazamento de perguntas do último exame.

CARMEN POMPEU / FORTALEZA, CARLOS LORDELO , CEDÊ SILVA / ESTADÃO.EDU, O Estado de S.Paulo

09 Março 2012 | 03h02

"Houve uma reunião no Colégio Santo Inácio, a convite da Cesgranrio, para que os cadernos fossem entregues aos coordenadores", diz o procurador. A responsável pela aplicação do pré-teste em Fortaleza nega. A professora aposentada Evelina Seara, de 71 anos, acusada de violação de sigilo funcional pelo MPF, diz que só entregou aos coordenadores, nos dias seguintes à reunião, malotes lacrados contendo os cadernos de itens.

A investigação da Procuradoria revelou detalhes do funcionamento do pré-teste que não foram esclarecidos pelo Ministério da Educação à época do vazamento, revelado pelo Estadão.edu em 26 de outubro. Não se sabia, por exemplo, que o pré-teste foi aplicado em mais de um dia e em mais de um colégio da mesma cidade.

Além de Evelina, o MPF denunciou à Justiça outras quatro pessoas: um professor e uma funcionária do Christus, pela utilização e divulgação indevida de material sigiloso, e duas servidoras do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), por falsidade ideológica. Segundo Costa Filho, as servidoras do Inep foram denunciadas por negar ao MPF e à Polícia Federal a possibilidade de se obter todos os cadernos do pré-teste.

Ontem o MEC informou, por meio de nota, que só iria se pronunciar "pelos canais jurídicos regulares". Ainda no ano passado, o Estadão.edu pediu à pasta a lista dos colégios que foram locais de aplicação do pré-teste em 2010, mas não obteve resposta.

Segundo a denúncia do MPF, o vazamento ocorreu porque o banco de questões do Enem é pequeno. "A divulgação pelo Inep/MEC de uma suposta composição de 6 mil itens não se sustenta à luz das investigações e das causas que desencadearam o vazamento", diz o texto. Para o procurador Oscar Costa Filho, "se existissem 6 mil questões, a probabilidade de repetir no Enem o que caiu no pré-teste seria mínima". "O que aconteceu mostra que o banco está esvaziado. E, se está esvaziado, não dá para fazer o Enem."

Alunos do Christus receberam poucos dias antes do Enem 2011 um simulado com várias questões idênticas às que caíram no exame. O vazamento veio à tona três dias depois das provas e resultou, após intensa guerra judicial, no cancelamento de 14 testes para os estudantes do 3.º ano e do cursinho do Christus.

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