MPF denuncia ex-diretores da Sadia por 'insider trading'

O Ministério Público Federal pediu nesta quarta-feira a abertura de uma ação penal contra dois ex-executivos da Sadia e um ex-executivo do banco ABN-Amro por usar informações privilegiadas sobre uma oferta de compra da Perdigão pela Sadia, em julho de 2006, para lucrar no mercado de ações dos EUA.

REUTERS

06 de maio de 2009 | 10h31

Segundo o MPF, trata-se da primeira denúncia oferecida no país contra executivos por esse tipo de fraude no mercado de capitais, conhecida como "insider trading".

A procuradoria denunciou o diretor de Finanças e um membro do Conselho de Administração da Sadia na época, além do ex- superintendente executivo de empréstimos estruturados do banco ABN-Amro.

Em comunicado, o MPF informou que a oferta da Sadia pela Perdigão ocorreu em 16 de julho de 2006, com edital publicado no dia seguinte. Segundo o MPF, os três denunciados "participaram das discussões e tratativas visando elaboração da oferta ao mercado e obtiveram informações privilegiadas".

Segundo o MPF, as compras de ações da Perdigão por um dos executivos da Sadia começou a ser feita cerca de três meses antes, em 7 de abril de 2006. Ele teria comprado ao todo 45.900 ações.

Em 21 de julho, após a recusa da Perdigão à oferta da Sadia, o executivo teria vendido 15.300 ações, lucrado 58,5 mil dólares com a operação.

Outro executivo da Sadia teria efetuado quatro operações de compra e venda de ações da Perdigão na bolsa de Nova York mediante informações privilegiadas, lucrando 139,1 mil dólares ao todo.

Já o diretor do ABN-Amro teria adquirido ações da Perdigão ao saber que a instituição onde trabalhava avalizaria a oferta da Sadia pela Perdigão, em 20 de junho de 2006. Na data da publicação do edital da oferta, ele teria vendido as ações, lucrando 51,6 mil dólares com a transação, segundo o MPF.

Se condenados, os executivos podem pegar penas de 1 a 5 anos de prisão e multa de até três vezes o valor que lucraram com o delito.

O MPF informou que todos eles foram demitidos de seus cargos e que o caso já teve punição adminstrativa em 2007 no âmbito da Securities Exchange Comission (SEC), órgão que regula o mercado de capitais nos EUA.

No Brasil, os dois executivos da Sadia foram punidos pela CVM e estão proibidos de exercer cargos de administrador ou conselheiro fiscal de companhia aberta por cinco anos. Cabe recurso.

Já o ex-superintendente do ABN-Amro fez proposta de pagamento de 238 mil reais ao órgão e teve seu processo administrativo arquivado.

(Por Fabio Murakawa)

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