MST invade CEF em Brasília e protesta no Rio e em SP

Manifestantes querem o cumprimento de acordo feito com a Caixa para a construção de 31 mil moradias

Agência Estado,

16 de abril de 2008 | 09h26

O Movimento dos Sem-Terra (MST) nacional e do entorno de Brasília e o Movimento de Apoio ao Trabalhador Rural (MATR) ocuparam por volta das 5 horas desta quarta-feira, 16, o edifício-sede da Caixa Econômica Federal, em Brasília. Na capital paulista, cerca de 30 integrantes do MST realizam uma passeata na manhã desta quarta, na região central da cidade. Por volta das 9h30, o grupo saiu em passeata da praça do Patriarca em direção ao Pateo do Colégio.  De acordo com a Polícia Militar, que acompanhou a manifestação em São Paulo, o protesto segue pacífico.   Em Brasília, são cerca de 300 pessoas, nos cálculos da Polícia Federal; mil manifestantes, para o MST. Os sem-terra querem o cumprimento de acordo feito entre o Incra e a Caixa Econômica Federal para a construção de 31 mil moradias em assentamentos do MST. As ações realizadas pelo País fazem parte da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, que lembra o Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, em 17 de abril de 1996, no qual 19 trabalhadores rurais foram mortos em confronto com a Polícia Militar (PM). O movimento também é conhecido como Abril Vermelho. No momento da invasão da Caixa Econômica houve resistência por parte de um segurança, que chegou a puxar uma arma contra os invasores. Ele foi imobilizado. Os sem-terra ocupam todo o saguão do prédio, impedindo o acesso de funcionários, que aguardam do lado de fora.   Uma reunião de dirigentes do movimento com o ministro das Cidades, Márcio Fortes, e com representantes da Caixa Econômica Federal (CEF) para tentar resolver o problema criado pela invasão da sede da CEF será realizada às 14h30, informaram assessores de comunicação do MST.   Na cidade de Bauru, cerca de 300 trabalhadores do movimento ocuparam nesta quarta uma unidade da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Bauru, a 330 quilômetros de São Paulo. Os trabalhadores aguardam uma audiência com o superintendente da Conab. Entre as reivindicações dos manifestantes estão cestas básicas para as famílias acampadas, renegociação das dívidas do programa Compra Antecipada e transformação do programa de Doação Simultânea em política pública para os assentamentos, com aumento do crédito de venda dos produtos de R$ 3.500 para R$ 5.000.    Segundo o MST, desde o final de semana, a Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária mobilizou famílias acampadas e assentadas em Pernambuco, Rio Grande do Sul, Alagoas, São Paulo, Roraima, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Goiás, Paraná, Rio Grande do Norte e Belém, no Pará e Distrito Federal. No começo do mês, aconteceram protestos em Bahia, Rio de Janeiro e Ceará.     Rio de Janeiro     A Rodovia Presidente Dutra, no trecho do Rio de Janeiro, ficou interditada na manhã desta quarta durante uma manifestação de cerca de 150 integrantes do Movimento Sem Terra (MST). Segundo informações da concessionária Novadutra, por volta das 9h29 a pista sentido São Paulo, na altura do km 242, na região de Piraí, foi bloqueada com lixo, pneus e madeira.   De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o protesto foi pacífico e o motivo tem por objetivo denunciar a lentidão da Reforma Agrária. O tráfego chegou a ficar parado em cinco quilômetros, mas a situação já começava a se normalizar, após a liberação da via, às 10h17.

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