MST promove ocupações e protestos em oito Estados

Em Brasília, manifestantes invadem a sede da Caixa Econômica para reivindicar a construção de 31 mil moradias

AE, Agencia Estado

16 de abril de 2008 | 13h20

Trabalhadores rurais e assentados ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) relizaram nesta quarta-feira, 16, ocupações e protestos em oito Estados e no Distrito Federal. As ações fazem parte da Jornada de Lutas pela Reforma Agrária, que lembra o Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, em 17 de abril de 1996, no qual 19 trabalhadores rurais foram mortos em confronto com a Polícia Militar (PM). Os manifestantes exigem o assentamento das 150 mil famílias acampadas no País e investimentos públicos na produção agrícola e habitação em assentamentos. As informações são do MST.Em Brasília, cerca de mil trabalhadores rurais entraram na sede da Caixa Econômica Federal (CEF), segundo o MST. Nos cálculos da Polícia Federal, foram aproximadamente 300 pessoas. No momento da invasão, houve resistência por parte de um segurança, que chegou a puxar uma arma contra os invasores. Ele foi imobilizado. Os sem-terra ocupam todo o saguão do prédio, impedindo o acesso de funcionários, que aguardam do lado de fora.   Os manifestantes querem o cumprimento de acordo feito entre o Incra e a Caixa Econômica Federal para a construção de 31 mil moradias em assentamentos do MST. Uma reunião de dirigentes do movimento com o ministro das Cidades, Márcio Fortes, e com representantes da Caixa Econômica Federal (CEF) para tentar resolver o problema criado pela invasão da sede da CEF será realizada nesta tarde, informaram assessores de comunicação do MST.   Na capital paulista, cerca de 30 integrantes do MST realizaram uma passeata na manhã desta quarta, na região central da cidade. Por volta das 9h30, o grupo saiu em passeata da praça do Patriarca em direção ao Pateo do Colégio.  De acordo com a Polícia Militar, que acompanhou a manifestação em São Paulo, o protesto foi pacífico. Em Porto Alegre (RS), trabalhadores ocuparam o prédio do Ministério da Fazenda e da Secretaria da Agricultura. Eles pedem a desapropriação da Fazenda Southall, em São Gabriel.Em Pinheiros, Pancas, Santa Teresa, Cachoeiro do Itapemirim, São Mateus e São José do Calçado, todos no Espírito Santo, houve mobilizações em agências da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Em Santa Catarina, foram cinco as mobilizações em frente a agências dos dois bancos, em Rio Negrinho, Canoinhas, Curitibanos, Caçador e em Lebon Regis. Uma marcha que saiu de Xanxerê, com 500 pessoas, foi até o trevo de Chapecó.Em Pernambuco, cerca de mil sem-terra ocuparam pela manhã a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no Recife. Também foi ocupada a sede do Incra em Petrolina. Em Bauru (SP), sem-terra ocuparam uma unidade da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Integrantes de entidades que compõem a Comissão Estadual dos Hortos, formada pela Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), Federação da Agricultura Familiar (FAP), Organização de Mulheres Assentadas e Quilombolas do Estado de São Paulo (Omaquesp) e MST entraram no hall da Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo. Eles reivindicam um programa público de preservação ambiental em áreas de assentamentos em hortos florestais.Em Alagoas, manifestantes ocuparam a entrada do Porto de Maceió em defesa da reforma agrária. O MST pede abertura de negociação com o governo do Estado quanto a terras do antigo Produban (Banco do Estado de Alagoas S.A). Em Jungueiro, uma área de 400 hectares foi ocupada. Em Goiás, foi ocupada a Fazenda Rio Vermelho, Crixás, e 180 famílias fizeram um protesto na BR-153, perto de Porongatú. No Rio de Janeiro, cerca de 150 trabalhadores rurais interditaram a Via Dutra, na altura do KM 242, sentido São Paulo.

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