Mudança climática causa mais turbulência nos voos

A sensação vai desde um leve friozinho no estômago até o mais terrível desespero diante da iminência de uma queda. Os passageiros não passam ilesos por uma turbulência em voo mas, por culpa do aquecimento global, devem começar a se acostumar com a frequência cada vez maior com que elas vêm acontecendo, como a que deixou 20 feridos no dia 25 de maio de 2009 em um voo da TAM procedente de Miami meia hora antes de pousar em Guarulhos.

MARIANA LENHARO, Agência Estado

03 de abril de 2010 | 11h32

A conclusão é de especialistas das áreas de meteorologia, aviação civil e engenharia aeronáutica. "O aquecimento global dá origem a um número maior de fenômenos atmosféricos extremos, dentre eles os que são responsáveis pela turbulência aeronáutica", diz o professor Rubens Villela, meteorologista do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP).

Ele é o autor de um artigo publicado no ano passado pela revista Aero Magazine em que questiona qual tem sido a causa da recorrência do aumento de turbulências. "Seria mais um sinal da comprovada mudança climática global?" Villela cita sete ocorrências de repercussão mundial só em 2009, sem contar o acidente do voo 447, da Air France, que matou 228 pessoas.

Desde que o homem começou a voar, as turbulências já se apresentavam como obstáculos. Elas ocorrem por causa das mudanças de velocidade e direção do ar. A movimentação é semelhante à agitação da superfície do mar, mas não se pode vê-la.

Existem duas principais causas para a turbulência em voo: a passagem das aeronaves por rotas próximas de cúmulos-nimbos, que são enormes nuvens de tempestade, ou o encontro de uma corrente de jato (ou jet stream), fluxos de ar fortes e estreitos.

Nos dois casos, o aquecimento global - que é o aumento da temperatura média do ar perto da superfície terrestre - atua como potencializador. Ele provoca um desequilíbrio maior entre a temperatura na superfície e nas camadas mais elevadas da atmosfera, estimulando a formação de cúmulos-nimbos, além de aumentar o contraste entre a temperatura dos polos e dos trópicos, intensificando as correntes de ar.

Apesar de ser um assunto recorrente entre pilotos e especialistas da área, ainda não existem estudos que comprovem esse fenômeno. "Ainda é difícil determinar com que intensidade e em que lugares isso ocorre", afirma o engenheiro aeronáutico James Waterhouse, professor da USP de São Carlos. "Trata-se de uma conclusão qualitativa e não quantitativa." O meteorologista da Climatempo Marcelo Pinheiro concorda e reforça que ainda é preciso mais estudos sobre a influência do clima no aumento das turbulências. "Não dá para confirmar a teoria porque precisa-se pesquisar o assunto." As informações são do Jornal da Tarde

Tudo o que sabemos sobre:
climavoos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.