Mudança no setor de ovos será maior

Uma das principais questões é como criar milhões de aves soltas. Investimento para alterar sistema é inviável

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2009 | 02h58

Para Portocarrero, a situação dos produtores de ovos é mais complexa do que a do setor de corte, pois, embora a produção industrial de ovos no País seja com aves confinadas, pesa o fato de o Brasil ainda não ser grande exportador. "O mercado interno consome 60% da produção brasileira de ovos e por isso o produtor terá um pouco mais de tempo para decidir se quer modificar o sistema de criação. O fato de a galinha permanecer confinada na gaiola vai contra o bem-estar animal, mas somos contra a UE usar isso como barreira."   Veja também:Avicultura:País debate bem-estar no aviário Genética para criação 'a pasto'Criação alternativa também segue normas A União Europeia determinou que, a partir de 2012, não será mais permitido o uso de gaiolas convencionais na avicultura de postura. Antecipando-se a essa mudança, porém, uma das maiores redes de supermercados do Reino Unido já anunciou que suspenderá a comercialização de ovos produzidos sob o sistema convencional, passando a trabalhar só com ovos "free range"."O sistema free range caracteriza-se pela criação de aves para a produção de carne e ovos em áreas com acesso ao ambiente externo", explica a pesquisadora Helenice Mazzuco, da Embrapa Suínos e Aves. No Brasil, produtos oriundos desse tipo de criação são vendidos como ovo/frango caipira ou ovo/frango colonial.Para o produtor de ovos Welington Koga, de Bastos (SP), na Europa, se a mudança do sistema de criação tem um lado bom - "Criadas soltas, as galinhas têm mais espaço e conforto" -, por outro lado, pode ser arriscado sanitariamente. "O acúmulo de esterco favorece a contaminação. Consequentemente, haverá necessidade de mais medicamentos."No Brasil, embora a adoção do free range seja viável pelo fato de haver espaço disponível, a decisão do produtor dependerá do retorno econômico que o novo sistema poderá trazer, diz Koga. "Podemos nos adaptar desde que o mercado pague por isso, pois é uma estrutura de criação totalmente diferente da atual", diz.Chão ripadoAlém do maior espaço, Koga destaca a necessidade de "ripar" o chão para evitar o contato da ave com o solo. "Tem também que telar a área para impedir o contato com aves silvestres", cita o produtor, cujo plantel é de 1 milhão de aves. "Imagina criar 1 milhão de aves soltas?" Acostumada a atender ao mercado externo, entre eles o exigente mercado japonês, a Granja Mantiqueira obedece a todos os padrões exigidos pelos importadores. Em relação ao free range, porém, o gerente da granja, Eduardo Scarpa, tem restrições. "É um sistema de alto risco sanitário, que eleva os custos de produção e reduz a produtividade." A granja produz 7.800 caixas de ovos de 30 dúzias/dia e exporta entre 45% e 55% da produção. "Adaptar-se a modelos que contemplem o bem-estar animal será inevitável. Mas tudo deve ser feito com muito critério."

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