Muita calma ao vacinar o rebanho

Em mês de campanha contra febre aftosa, pecuarista deve garantir o bem-estar dos animais e a segurança dos peões

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2008 | 02h37

Em mês de vacinação do gado contra a febre aftosa - a 2ª fase da campanha vai até 30 de novembro -, a adoção de boas práticas de manejo torna-se ainda mais necessária nas fazendas. O manejo racional reduz perdas de vacinas, evita danos aos equipamentos, como seringas e agulhas, previne acidentes, oferecendo maior segurança aos trabalhadores e garante o bem-estar dos animais.O manejo de vacinação convencional, em que os animais são enfileirados no tronco de contenção coletivo e a vacina é aplicada por cima, deve ser evitado, diz o zootecnista Murilo Henrique Quintiliano, membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal (Grupo Etco), ligado à Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp de Jaboticabal (SP). Segundo ele, no sistema convencional, os animais se atropelam, há perdas de vacinas e de equipamentos (agulhas tortas) e o aplicador pode se machucar.Pelo manejo racional, a contenção dos animais é individual. "Fizemos vários experimentos e ficou comprovado que a contenção individual não só reduz os problemas da vacinação convencional como gasta o mesmo tempo", diz. COM CALMA"Deve-se conter o animal da forma mais calma possível. Antes de fechar a pescoceira, deve-se fechar a porteira da frente do tronco de contenção. Depois, abre-se a porta ou janela atrás da pescoceira para aplicar a vacina", ensina. Após a aplicação, ideal é abrir todas as contenções do tronco ao mesmo tempo; se não for possível, elas devem ser abertas de trás para frente: primeiro a porta de trás, depois a pescoceira e, por último, a porta da frente."Na vacinação, o principal erro é levar um número muito grande de animais para o curral, até superlotar o local", diz. "Isso põe muita pressão no curral, o que favorece a ocorrência de danos às instalações e aumenta o risco de acidentes com funcionários e de animais machucados."O zootecnista diz que o curral, por ser local de passagem, é pequeno e normalmente não tem água. "O animal entra, é manejado e sai." A condução correta do gado do pasto ao curral também faz parte do manejo racional. Deve ser feita com calma e por um ponteiro, vaqueiro que vai à frente dos animais, "como numa toada".Como o curral é pequeno, uma estratégia é usar piquetes em volta para a permanência dos animais. "É péssimo, do ponto de vista do bem-estar, passar a noite no curral", diz. Esses piquetes podem ser ainda mais úteis se o curral for distante do pasto e os animais tiverem que ser deslocados um dia antes da vacinação. "Com o pasto longe, os animais ficam nesses piquetes, daí a importância de planejar bem o manejo."RECOMPENSAOutra dica é recompensar o animal com algum alimento na saída do curral. "A vacinação é uma prática aversiva e o animal associa o curral a algo ruim. Oferecer a recompensa condiciona o boi a associar o curral a algo positivo", diz a zootecnista Luciandra Macedo de Toledo, pesquisadora da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), da Secretaria de Agricultura, e uma das autoras do manual Boas práticas de manejo - Vacinação.Segundo Quintiliano, para condicionar o animal não há necessidade de ficar levando-o ao curral. A idéia é aproveitar o manejo rotineiro do gado para pôr em prática essas estratégias. "E não precisa fornecer uma fartura de alimento; é apenas um agrado", diz Quintiliano.Para o zootecnista, o bom manejo do gado depende, sobretudo, da sensibilidade das pessoas. "Muitas vezes, os funcionários agem sem pensar e não têm a sensibilidade para saber o que animal precisa", avalia. O manejo racional é justamente o contrário. "É agir com conhecimento." O conteúdo do manual pode ser acessado no site do Grupo Etco e também solicitado para entrega, gratuitamente. INFORMAÇÕES: No site: www.grupoetco.org.br

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