Muito além de ciências e geografia

Japonês, judô, kendô, ikebana, mangás: aulas especiais e atividades complementares agitam escolas da colônia

Fernanda Yoneya,

23 Fevereiro 2008 | 17h16

O currículo oferecido aos alunos tem as tradicionais matemática, português, ciências e geografia. E pode incluir muito mais: japonês, judô, kendô, ikebana, cerâmica e mangás. Sem falar que, no ano em que a imigração japonesa chega ao centenário, aulas especiais e atividades complementares estão sendo desenvolvidas. Enfim, a previsão é de um ano agitado nas escolas paulistanas ligadas à colônia.  Veja também:O sucesso do KumonEnsino do idioma tem novo boomReferência em ensino na comunidade, o Centro Educacional Pioneiro, ou simplesmente Colégio Pioneiro, tem um porcentual expressivo de nikkeis em suas salas: 80% dos 750 alunos são descendentes. Em sua sede, na Vila Clementino, Zona Sul, estudam crianças do ensino infantil ao médio. E pensar que tudo começou quando a educadora Michie Akama chegou ao Brasil, em 1930, e decidiu ensinar boas maneiras, em Cafelândia, para moças que trabalhavam nas lavouras.O próximo passo de Michie foi vir para a Capital com o marido, Jiuji, e abrir uma escola de Corte e Costura. "O curso era de preparação para futuras mães, como ela própria definia", lembra a nora da professora, Elza Baba Akama, diretora do Pioneiro ao lado do marido, Antonio Akama.E Michie não parou mais. Criou um curso de língua japonesa de nível médio, naquela época muito útil para a educação dos nikkeis, e iniciou aulas para quem queria cursar o antigo Ginásio. Até fundar, em 1971, o Colégio Pioneiro. "Michie queria uma escola brasileira, que formasse cidadãos de forma integral", recorda Elza, diretora desde os primeiros dias do colégio. "Aqui, portanto, o ensino tem como base não só a disciplina, mas, acima de tudo, o respeito ao próximo."GiganteNa Vila Formosa, Zona Leste, funciona outra escola com raízes japonesas: o Colégio Brasília. Fundado há 34 anos pela nissei Ayako Kuba Sakamoto, de 69, o Brasília (o nome homenageia Juscelino Kubitschek) é um gigante com três prédios e 1.200 estudantes, nos ensinos infantil, fundamental e médio. Sem contar a faculdade. "Com a faculdade, criada em 1999, são cerca de 2 mil alunos."O começo, porém, foi bem mais modesto. Em 1972, Ayako adaptou em sua casa, na Vila Formosa, algumas salas de aula. Aos poucos, foi comprando terrenos e imóveis vizinhos e adequando as instalações, até construir a sede atual.Desde 1995, o colégio recebe intercambistas da escola-irmã Okinawa Shogaku, em Naha. Tanto alunos quanto professores. As irmãs Eduarda Namie, de 7 anos, e Lyva Mei Kinjo, de 11, vieram de Okinawa e falam pouco português. Apesar disso, parecem bem integradas com colegas de classe e professores. Quando Lyva não entende alguma palavra, por exemplo, recorre a uma intérprete especial - sua amiguinha Natália Miki Noguchi, que morou no Japão com os pais dekasseguis. Para comemorar o centenário, o Brasília vem programando uma série de atividades. Os estudantes nikkeis estão reunindo objetos e fotos de família para compor um pequeno museu na escola, previsto para ser aberto em maio. O colégio ainda vai organizar um visita ao centro histórico da Capital (terminando na Liberdade), cursos de culinária, mangá e ikebana. Em junho, um ato ecumênico no ginásio vai marcar o centenário da imigração.

Mais conteúdo sobre:
Imigração Japonesa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.