Muito dinheiro e pouca ação

ANÁLISE

Daniel Akstein Batista, JORNALISTA, O Estadao de S.Paulo

08 Dezembro 2009 | 00h00

O anúncio da Traffic em manter suas principais estrelas foi o primeiro sinal de que os investimentos seriam altos para formar um time campeão. O Palmeiras não poupou esforços nem dinheiro. Aí vieram os aumentos salariais e as contratações de Vagner Love e Muricy Ramalho. E com eles várias confusões.

A chegada do treinador pegou todos de surpresa. Os jogadores já haviam se acostumado com a ideia da efetivação de Jorginho, que assumiu o time em situação complicada após a demissão de Luxemburgo. Os bons resultados do interino (levou a equipe à vice-liderança) não foram suficientes e a diretoria insistiu na contratação de Muricy, que já havia recusado a primeira proposta, mas depois chegou a um acordo financeiro.

Muricy não tem apoio de todos no clube - alguns diretores reclamam do seu trabalho. E Vagner Love chegou com status de craque e um salário maior do que muitos no grupo. A diretoria imaginava lucrar com a imagem do atacante, mas desistiu para não causar ciúmes no elenco. O sentimento, porém, existiu e o supervalorizado camisa 9 não correspondeu às expectativas e se envolveu em confusões com torcedores.

As contusões de Maurício Ramos, Pierre e Cleiton Xavier realmente complicaram a situação do time, sem peças de reposição à altura - uma das maiores reclamações de Muricy. Mas a euforia criada com uma campanha que se mostrava eficiente (19 rodadas na liderança) atrapalhou. Como disse Marcos, muitos jogadores estavam mais preocupados com a vida social (festas e mulheres) do que com o clube. A expectativa pelo título era grande. A pressão também. E muitos não souberam lidar com ela. Nem Luiz Gonzaga Belluzzo, o presidente que nas últimas semanas foi suspenso pelo Tribunal por dizer que bateria em árbitro, reclamou da imprensa e gritou numa festa da Mancha Verde "Vamos matar os bambis". Na reta final do Brasileiro, o Palmeiras se perdeu e não conseguiu confirmar conquista que estava nas mãos. A crise só aumentou.

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