Muitos vão chorar aquele ''pontinho'' desperdiçado

Candidatos ao título tiveram tropeços que podem ser fatais

Fábio Hecico, O Estadao de S.Paulo

05 Dezembro 2009 | 00h00

A semana decisiva do Campeonato Brasileiro foi marcada pelo apelo do Internacional por ajuda do Grêmio no jogo contra o Flamengo, amanhã, no Maracanã. Até o hino do clube rival os colorados se dignaram a cantar. Palmeiras e São Paulo também necessitam da ajuda para erguer a taça, e todos reclamam da postura do tricolor gaúcho de escalar time misto. O que esquecem é que poderiam estar no topo da tabela, ou até já comemorando o título, não fossem tropeços inacreditáveis, principalmente no segundo turno.

Domingo à noite, após ser definido o campeão, certamente os outros três dos quatro candidatos ao título terão motivos de sobra para reclamar. Aquele famoso pontinho desperdiçado em um momento de bobeira ou de relaxamento vai ser lembrado. E não são poucos os tropeços dos postulantes ao troféu.

Quem certamente terá motivos de sobra para chorar caso o título não venha é o torcedor palmeirense. O clube foi quem mais esteve próximo da conquista neste segundo turno, e viu a taça escorregar por entre os dedos com um show de tropeços contra os piores colocados no momento em que era líder - foram 19 rodadas seguidas no topo da tabela. Contra Náutico e Sport, os dois rebaixados até o momento, e o Santo André, "com um pé e meio" na Série B, a equipe somou apenas um ponto. Também acumulou derrota para o Fluminense, então o penúltimo colocado, e um empate por 2 a 2 diante do Avaí, no Palestra Itália lotado, após ter deixado o rival abrir 2 a 0.

"Não podemos comemorar esse empate. Foi uma derrota para a gente", afirmou o goleiro Marcos, na época. "Sentimos muito os empates com o Avaí e o Sport na nossa casa. Estes resultados mexeram demais com a nossa confiança", reconheceu o meia Diego Souza.

De forte candidato ao título, o time entra na rodada decisiva correndo risco até de não ir para a Libertadores.

O São Paulo destacou-se na conquista dos últimos três títulos por chegar atropelando na reta final. Nesta temporada, pecou na hora de embalar. Não conseguiu pegar no tranco quando mais era preciso. Pior, em quatro jogos que esteve à frente do marcador, permitiu o empate ou a virada.

Foram duas igualdades com peso de derrota. Diante do Santo André fez 1 a 0, estava fechando a rodada na liderança e, após desperdiçar inúmeras chances, sofreu o castigo no fim: 1 a 1. Repetiu a dose diante do Coritiba, no Morumbi. Abriu 1 a 0, tinha chance de golear, mas acabou cedendo a virada. Buscou o empate, mas no fim só não perdeu porque a bola carimbou a trave. "Temos de comemorar o empate. O Coritiba jogou muito bem e até mereceu a vitória", foi o comentário do goleiro Rogério Ceni no dia.

O time ainda sofreu derrotas para o Atlético-MG, no Morumbi, e viu Flamengo e Botafogo virarem jogos fora de casa. O confronto com os botafoguenses foi mais doloroso, já que o adversário ganhou com gol quase no fim, e soube se segurar com oito atletas nos últimos minutos. "As chances de título agora são mínimas. A conquista ficou muito difícil", não esconde o técnico Ricardo Gomes, bastante triste com duas derrotas nas últimas partidas e a queda da liderança para o quarto lugar.

O Internacional, que tanto reclama do time misto do Grêmio, não comentou nada quando recebeu o desfalcado Corinthians na revanche da Libertadores. Porém, bobeou e perdeu em casa. Jogar no Beira-Rio foi um calvário para o time no segundo turno. Lá, recebeu muitas vaias, principalmente os técnicos Mário Sérgio e seu antecessor Tite, além do atacante Taison, em jejum de gols após ótimo primeiro semestre. Em sua casa, desperdiçou pontos preciosos contra ameaçados, como Botafogo (0 a 1) e Atlético-PR ( 1 a 1). Sem contar a derrota para o Cruzeiro no jogo que podia valer a liderança.

Até o Flamengo tem motivos para se preocupar. Enquanto todos dão como certa a conquista, o elenco faz questão de lembrar do empate com o Goiás, duas rodadas atrás, quando podia ser líder, e parou na retranca adversária. "Às vezes, a torcida atrapalha", chegou a dizer o goleiro Bruno, sobre a enorme expectativa criada naquele dia, que deixou o time nervoso demais.

Agora, a decisão será novamente no Maracanã. E empatar com o Grêmio significa ter enorme chance de perder a taça. Mas todos dão como certa uma conquista que, acreditem, foi descartada no início do turno, com três derrotas seguidas e queda para a 14ª posição. Resta saber quem não vai bobear desta vez.

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