Mulher de Cachoeira e ex-policial ficam calados em sessão da CPI

A companheira de Carlinhos Cachoeira, assim como outros convocados à CPI que investiga as relações políticas e empresariais do suposto contraventor, manteve-se calada em seu depoimento à comissão nesta terça-feira.

Reuters

07 de agosto de 2012 | 12h11

Acompanhada de seu advogado, Andressa Mendonça não chegou a ficar cinco minutos na sala da CPI. Após anunciar que permaneceria em silêncio algumas vezes, a companheira de Cachoeira foi dispensada e deixou a sessão.

"Vou exercer o meu direito constitucional de permanecer em silêncio", disse ela aos parlamentares. "Permanecerei em silêncio."

Andressa foi convocada à CPI na condição de investigada, após suposta tentativa de corromper um juiz de Goiás para beneficiar seu companheiro, preso desde fevereiro acusado de chefiar uma rede de jogos ilegais.

A denúncia resultou, no fim de julho, em uma operação de busca e apreensão na casa de Andressa, que foi levada "coercitivamente" para depor à Polícia Federal. A companheira de Cachoeira foi liberada após pagamento de fiança e ficou proibida de manter contato com os investigados, incluindo o suposto contraventor.

Logo em seguida, a CPI recebeu o policial federal aposentado Joaquim Gomes Thomé Neto, que compareceu à sessão amparado por um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir seu direito de ficar em silêncio.

"Eu me reservo ao direito de ficar calado", afirmou o policial aposentado, sob quem pesa a suspeita de ter atuado como "araponga" do grupo de Cachoeira. "Eu não fui denunciado nesse processo nem em nenhuma das duas operações. Eu não tenho nada para colaborar", disse, em referência às operações da PF que investigam o esquema.

BELA E FERA

Antes do início formal do depoimento de Andressa, a senadora Kátia Abreu (PSD-GO) afirmou ter recebido ameaças motivadas por sua atuação na comissão. A senadora citou entrevista de Andressa a um portal, na qual a companheira de Cachoeira afirma ter um dossiê contra Kátia.

"Pelo jeito a bela resolveu ser fera e ela tem que tomar muito cuidado para não ficar enjaulada" , discursou a senadora.

Para a senadora, o suposto contraventor teria "usado" a noiva para praticar "calúnia, injúria e difamação", formando uma dupla que Kátia apelidou de "Cachoeira e Cascata".

"Essa calúnia é por vingança, porque eu fiz o meu papel", disse a senadora, que também afirmou ter sido ameaçada por meio de uma ligação anônima a seu gabinete.

Kátia tem feito discursos duros na CPI e chegou a chamar Cachoeira de "múmia".

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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