Mulheres correm mais risco de morrer após infarto

Homens sofrem mais ataques cardíacos, mas as mulheres resistem menos quando têm o problema

Efe,

04 de setembro de 2007 | 14h16

As mulheres correm um risco maior que os homens de morrer após sofrerem um infarto e deveriam buscar ajuda imediatamente assim que surgirem os primeiros sintomas de problemas cardíacos, alertou, em Viena, a cardiologista espanhola Mónica Masotti.   "As mulheres deveriam buscar a ajuda de um médico especializado mais rapidamente quando tiverem problemas do coração ou caso se sintam mal", disse a especialista do Instituto do Tórax do Hospital das Clínicas de Barcelona.   A médica participou do Congresso de Cardiologistas Europeus, que termina dia 5 e conta com a presença de 25 mil especialistas.   Masotti destacou que as mulheres se diferenciam dos homens que consultam um cardiologista por uma série de fatores: em média, são mais velhas e sofrem com mais freqüência de diabetes e insuficiência cardíaca, apesar de fumarem menos. No entanto, segundo a médica, a freqüência de problemas cardíacos nos homens é maior que nas mulheres.   Além disso, a cardiologista afirmou que, após uma cirurgia com um cateter para desobstruir artérias fechadas por um infarto, as pacientes do sexo feminino têm taxa de mortalidade maior que os do sexo masculino. O percentual de morte entre mulheres foi de 18%, enquanto o de homens ficou em apenas 8%, comprovou um estudo.   Para a cardiologista, o fenômeno pode ser explicado pela idade avançada e pelo pior estado de saúde verificado com freqüência nelas.   A equipe chefiada por Masotti tirou estas conclusões a partir de uma pesquisa feita com 529 pacientes - 417 homens e 112 mulheres - entre janeiro de 2002 e dezembro de 2006. A operação neles foi realizada menos de 12 horas após surgirem os primeiros sintomas.   Fumo   Com base em estudos realizados na Irlanda e na Itália, o especialista austríaco Kurt Huber pediu, no congresso, que sejam intensificadas as medidas para obter a proibição total do fumo em locais públicos.   A pesquisa irlandesa confirmou que o número de infartos cardíacos diminuiu consideravelmente no primeiro ano após ser proibido fumar nestes espaços.   "Os cigarros têm que desaparecer dos recintos públicos, inclusive dos restaurantes", disse Huber.   O fumante passivo corre o mesmo risco que o ativo, afirmou o especialista. Os argumentos dele foram corroborados por uma pesquisa realizada na Itália, onde já foi possível verificar um retrocesso das internações por infarto agudo nos primeiros cinco meses depois de entrar em vigor a proibição de fumar em locais públicos.   Segundo o cardiologista italiano Francesco Barone-Adesi, esta evolução positiva se deve à diminuição do consumo de tabaco por parte dos fumantes passivos.   O congresso, cujo tema geral é a insuficiência cardíaca, formulou uma série de recomendações para melhorar a saúde do coração, como parar de fumar, fazer atividades físicas por no mínimo 30 minutos cinco vezes por semana, evitar ficar acima do peso e reduzir o estresse e o colesterol.   O especialista francês Nicolas Amabile, do hospital C.H.U. Nord, de Marselha, afirmou que há uma relação entre as doenças coronárias e a saúde bucal. Ele constatou que os pacientes que sofrem de gengivites costumam ter os vasos cardíacos mais obstruídos.

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