Multicombustível promete aquecer disputa de motores

Depois do alvoroço provocado pelo motor bicombustível, vem aí, com força total, o motor multicombustível. As montadoras GM, Volkswagen e Fiat já lançaram no mercado nacional vários modelos com motor bicombustível, movido a álcool e gasolina ou com a mistura dos dois. Mas a Ford está investindo em um motor que pode funcionar também com gás natural, além dos combustíveis citados. "Nossa tecnologia será superior", afirma o presidente da Ford do Brasil e América do Sul, Antônio Maciel Neto.A previsão é que a Ford lance o produto até 2005. No Brasil, essa tecnologia já está disponível, mas ainda depende do interesse das montadoras em apostar nela. A tecnologia do motor bicombustível, por exemplo, demorou 10 anos para chegar ao consumidor, já que foi criada em 1993 e lançada comercialmente no ano passado.A fabricante de autopeças Magneti Marelli, do Grupo Fiat, apresentou na segunda-feira passada o funcionamento do motor multicombustível (também chamado de tetracombustível) para empresários e jornalistas chineses. A demonstração aconteceu durante o seminário "Brasil-China no Século 21", realizado na sede do BNDES, no Rio de Janeiro. A empresa foi convidada a apresentar o novo sistema devido ao interesse da China em importar o etanol brasileiro.O sistema TetraFuel Magneti Marelli unifica a capacidade de gerenciar quatro tipos de combustíveis numa única central eletrônica, permitindo que os veículos possam ser abastecidos com gasolina, álcool, gás natural ou nafta (gasolina pura). O mecanismo de gerenciamento do gás já virá preparado de fábrica. Atualmente, os motores a gás têm de passar por um processo de conversão. O gerenciamento de gasolina e gás será feito por meio de um chip codificado. O novo sistema permite que um carro produzido no Brasil circule por todos os países do Mercosul ou outro mercado. A vantagem é que a montadora pode atender, com um único veículo, os mercados externo e interno.A Robert Bosch do Brasil lançou no ano passado a tecnologia tricombustível Tri Fuel. A proposta é fazer com que, por meio de uma mesma unidade de gerenciamento de motor, um veículo se locomova utilizando gás natural (GNV), álcool e gasolina. A empresa investiu R$ 1 milhão para desenvolver o sistema no complexo da Bosch em Campinas (SP), mas não há data para o início das vendas do motor.O maior benefício do motor multicombustível é diminuir a emissão de poluentes na atmosfera. Já o veículo verdadeiramente ecológico, movido a células combustíveis (de hidrogênio), ainda é uma utopia por falta de viabilidade comercial. Na visão do engenheiro automotivo Luc de Ferran, da Ford, a tecnologia das células combustíveis tem um custo "absurdo".Um dos principais problemas é montar uma rede de abastecimento do hidrogênio. "Não acredito que a célula de combustível esteja disponível antes de 2010", afirmou Ferran em palestra nesta semana, a alunos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Por isso mesmo, ele acredita que os veículos elétricos híbridos, movidos pela eletricidade e por gasolina ou diesel, são a solução para o curto prazo.

Agencia Estado,

30 de abril de 2004 | 14h02

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