Multidão vibra, sem entender quem é novo papa

Após gritar muito ao ver a fumaça branca, fiéis e curiosos fizeram um silêncio de dúvida quando ouviram o nome de Bergoglio

O Estado de S.Paulo

14 de março de 2013 | 04h14

VATICANO - "É branca, é branca." Quando a fumaça surgiu na chaminé da Capela Sistina, a Praça São Pedro viveu momentos de total euforia. Logo depois, ao ser anunciado o nome de Jorge Bergoglio como o novo papa, foi a vez da surpresa generalizada. Só depois, quando ficou claro que se tratava de um latino-americano, a festa tomou conta da praça.

Pelo menos cem mil pessoas uma vez mais enfrentaram a chuva e o frio para acompanhar a eleição no Vaticano, criando um verdadeiro mar de guarda-chuvas. Quando a fumaça branca surgiu, acompanhada pelos sinos da Basílica de São Pedro, a chuva parou e a multidão explodiu em gritos, aplausos e até em correria.

"É um momento histórico. Nunca mais vou esquecer do que vivi aqui", disse a americana Catherine Mosses, uma turista de 23 anos enrolada na bandeira americana que era usada por sua amiga para enxugar as lágrimas.

A multidão começou a chegar à praça no meio da tarde. Na chaminé, gaivotas pousavam durante a tarde, gerando comentários de que aquele era um sinal. Já era noite quando a fumaça surgiu, marcando o fim da eleição.

Os fiéis se precipitaram em direção às escadarias, aos berros de "Viva o Papa", abraços e até beijos de casais emocionados. Naquele momento, a chuva, que por horas não dera trégua, parou. Como para permitir ao público escutar o novo papa. Levaria uma hora ainda até que o Habemus papam fosse dito e houvesse outra explosão de gritos.

Logo depois, a grande surpresa. O nome do escolhido era Jorge Bergoglio. Sem saber quem era, muitos tentavam encontrar alguma referência em seus telefones, o que gerou segundos de um raro silêncio. "Quem?", questionou um italiano.

O próprio papa ironizou em seu primeiro discurso. "Parece que os cardeais foram me buscar no fim do mundo", disse Bergoglio, arrancando risos da multidão e já criando um sentimento de proximidade. Muitos na praça ainda se emocionaram diante do apelo que o papa faria instantes depois, para que a multidão rezasse por ele. "Essa simplicidade é o que precisávamos", declarou Maria, uma freira peruana.

A argentina Constanza Dinucci, 34 anos, funcionária da Organização das Nações Unidas em Roma, ligou pelo celular para dar a notícia a uma amiga em Buenos Aires. Do outro lado da linha, Ariadna Bergoglio ainda não sabia que o tio dela fora eleito papa. "Estou muito emocionada, eu não esperava que fosse ele", disse Constanza chorando. Quando Francisco deu sua primeira bênção - , ela gritou e gesticulou sozinha, tentando descobrir algum argentino por perto. Não havia nenhum.

Já muitos brasileiros presentes, que sonhavam com um papa nacional, não conseguiram esconder a frustração. Vários deixavam o local com bandeiras enroladas e em silêncio, como se seu time tivesse sido derrotado numa grande final. "Argentino?", questionava Marx, turista de Santa Catarina vestido com a camisa da seleção, ao lado de sua mulher, Ana, também com a camisa amarela. O padre Carlos Araújo buscou mostrar fidelidade ao novo papa. "Passou perto. Talvez de da próxima vez."

Epicento. Ontem, a praça São Pedro foi uma vez mais o centro do mundo. Câmeras de todo o planeta focavam suas lentes no local, à espera do novo papa. Na praça, grupos de dezenas de países se misturavam com suas bandeiras. Não faltaram estrelas globais, como Dennis Rodman, que foi ao local em um terno colorido apoiar um papa negro. Enquanto isso, apresentadoras com roupas nem sempre religiosas se maquiavam nos cantos da praça para entradas ao vivo em televisões. Algumas pagaram 20 mil euros por alugar tetos de residências para ter uma visão privilegiada da chaminé. / JAMIL CHADE e JOSÉ MARIA MAYRINK

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