Multimídia: eficaz, mas com menos recursos

Embora com menor sofisticação em alguns casos, Ubuntu dá conta de tocar música, rodar vídeos e retocar fotos

RODRIGO MARTINS,

24 Junho 2008 | 00h00

Não é porque o Windows foi trocado pelo Ubuntu no seu computador que você ficará sem retocar suas fotos ou ouvir e até gravar suas músicas e vídeos. Embora na área de multimídia alguns softwares livres disponíveis contenham menor quantidade de recursos, há um leque grande de opções de programas que conseguem atender desde o usuário mais leigo até o que busca um resultado mais próximo do profissional. Na área de música, especificamente, o Ubuntu já vem com dois programas instalados: o Totem, mais básico e que seria um Windows Media Player com menos "frufrus", e o Rythmbox, muito parecido com o iTunes. Quando você coloca um CD para escutar ou "ripar", ele já "puxa" da internet os nomes do álbum, do artista e das faixas musicais e também importa a capinha do disco, este último recurso não disponível para os brasileiros no iTunes, já que a Apple barra o download por não ter sua loja virtual de músicas no País. Mas você curte ouvir um MP3? Então terá de abrir mão de ser totalmente livre. Mais uma vez, será "quase" livre. O MP3 é um formato proprietário, que exige o pagamento de licenças. Um dos formatos livres de música mais conhecidos (bem, é o mais conhecido entre os desconhecidos) é o OGG. Mas, para ter acesso ao MP3, o formato universal de música na web, você terá de recorrer à pirataria ou procurar diretamente empresas como Philips, AT&T, entre outras, que são as "proprietárias" do formato, o que convenhamos, não é lá muito viável. Quer dizer que não dá para ouvir MP3 no "computador livre"? Sim, dá. Mas você, teoricamente, estaria cometendo pirataria. O Ubuntu, por padrão, não permite reproduzir MP3. Mas, ao baixar uma música e clicar para tocar, surge uma tela perguntando se você quer instalar a compatibilidade com o formato e tem os direitos para tal. Clicou em O.K., já começa a escutar. O mesmo ocorre com outros formatos de áudio proprietários, como o WMA, da Microsoft. Sem precisar sair do Ubuntu, no diretório de arquivos há diversos outros players de música para usuários mais avançados. Também há gravadores de música. Desde os mais simples, como um programa que registra apenas voz e é semelhante ao do Windows, até softwares um pouco mais complexos como o Audacity, que permite gravar em diversos canais, colocar efeitos e mixar. O estudante de música Gabriel Moreira, de 20 anos, diz que conseguiu trocar todos os softwares de gravação que usava antes no Windows. "Migrei para o software livre porque o meu PC vivia com problemas. Tudo o que eu quero consigo fazer, desde gravar até mixar. E ainda tenho acesso a coisas novas freqüentemente, pois a comunidade de software livre sempre lança programas novos." Para vídeos, também há programas de edição para os mais profissionais e tocadores de vídeo para quem só quer ver vídeos baixados na web ou assistir a um DVD. O mesmo Totem que serve para reproduzir músicas também serve para exibir vídeos. O esquema do formato proprietário é o mesmo da música. Para conseguir assistir a um arquivo no formato MPEG, por exemplo, é preciso confirmar que tem autorização para tal. FOTOS Já para fotos, o software mais conhecido no mundo livre é o Gimp. Ele possui algumas ferramentas do conhecido Photoshop: permite corrigir erros na foto, tem ferramentas mais simples para recortar a imagem e recursos manuais para corrigir imagens muito claras ou escuras, por exemplo. O problema do Gimp é a interface. Em vez de uma janela principal com paletas de recursos, são três janelas independentes que ficam atrás da foto aberta. Fora que a qualidade dos filtros de imagens não são páreo para o concorrente da Adobe. É um dos casos em que a opção livre não substitui a proprietária. Quem não quer ter muito trabalho para dar um tapa em uma foto, uma boa opção é utilizar um velho conhecido dos usuários de Windows: o Picasa, do Google. Mas, embora gratuito, não é um software livre, desenvolvido por programadores independentes, mas um programa gratuito que também roda em sistemas operacionais livres, como o Ubuntu. O Picasa, além de organizar todas as fotos que estão no PC de forma cronológica, permite fazer retoques automáticos, como ajustar o contraste e o brilho e tirar olhos vermelhos com um clique só. Se quiser, também dá para fazer isso de forma manual, mas de forma mais simples do que no Gimp. Há ainda filtros que permitem realçar cores, deixar a fotografia em branco e preto ou em sépia. O Picasa não está no gerenciador de arquivos. É preciso ir até o site do Google (picasa.google.com/linux) e baixar o software compatível com o Ubuntu – com a terminação ".deb". GRAVAR CDS E DVDS O programa de gravação de CDs e DVDs Brasero já vem junto com o Ubuntu e não deixa a desejar. Como o software de música Totem e o pacote OpenOffice, é uma versão sem frescuras de programas tradicionais como o Nero (pago). Ele grava mídias em várias velocidades e com eficiência. Não tem recursos como a criação de capas para os discos, mas, pensando bem, precisa? E O ANTIVÍRUS? Ao contrário do Windows, o Linux corre um risco muito menor de ser infectado por vírus, mesmo que o PC seja usado para baixar músicas e vídeos. Como o Linux (o Ubuntu é uma das versões) é usado por pouca gente hoje em comparação ao Windows, que está em mais de 90% dos computadores do mundo, os hackers mal intencionados preferem criar vírus para o Windows, pois podem infectar mais pessoas. Isso quer dizer que não é necessário um antivírus? Em fóruns de discussão sobre software livre, muitos chamam de paranóico quem instala antivírus no Linux. Para quem prefere prevenir do que remediar, há, sim, antivírus para o Ubuntu. No diretório de arquivos, é possível instalar o Clamtk, bem leve e que faz a varredura no sistema. COLABOROU LUCAS PRETTI

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