Mundo enfrenta desafios ao chegar a 7 bi de habitantes

A poucos dias de atingir a marca de 7 bilhões de habitantes, segundo estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), o mundo de forma geral e o Brasil em particular têm uma série de desafios para reduzir a desigualdade e aumentar o acesso à educação e saúde, bem como garantir um crescimento global sustentável. De forma geral, as condições de vida da população mundial melhoraram, mas ainda há grandes disparidades entre regiões e países desenvolvidos e em desenvolvimento, além de discriminação étnica e de sexo.

MARCELO PORTELA, Agência Estado

26 de outubro de 2011 | 18h55

É o que aponta o relatório Pessoas e Possibilidades em um Mundo de 7 bilhões, divulgado hoje pelo Fundo da População das Nações Unidas (UNFPA), documento lançado simultaneamente em 100 países. Segundo o relatório, a população mundial está aumentando em velocidade acelerada, mas, mantendo-se a atual tendência, deve reduzir o ritmo de crescimento. Há 2 mil anos, havia 300 milhões de pessoas no planeta, número que deve saltar para 10 bilhões em 2083.

Porém, apesar da redução na taxa de fecundidade de uma média de 6 filhos para cada mulher em 1960 para 2,5 filhos em 2010, o UNFPA ressalta que há 3,7 bilhões de pessoas em idade reprodutiva, o que significa que "a população continuará a crescer por muitas décadas ainda". Atualmente, o País mais populoso é a China, com 1,35 bilhão de habitantes, seguido pela Índia, com 1,24 bilhão. A estimativa da UNFPA é que, em 2025, os indianos chegarão a 1,46 bilhão, contra 1,39 bilhão de chineses, população que, mantendo-se a atual tendência, deve cair para 1,3 bilhão em 2050, enquanto a população indiana chegará a 1,7 bilhão.

O relatório mostra também que a população mundial nunca esteve, ao mesmo tempo, tão jovem e tão velha. Isso porque, dos 7 bilhões de pessoas, 43% (3,01 bilhões) têm menos de 25 anos. Enquanto isso, as pessoas que têm mais de 60 anos, que eram 384 milhões em 1990, já somam 893 milhões de pessoas e devem chegar a 2,4 bilhões até 2050.

O fenômeno, segundo o relatório, se deve ao aumento da expectativa média de vida, que passou de 48 anos na década de 1950 para 69 anos atualmente. "Essa marca (7 bilhões) mostra o sucesso da humanidade, porque as pessoas estão tendo vidas mais longas e saudáveis, com menos mortalidade infantil. Nunca houve tantos jovens. Mas o envelhecimento da população também preocupa", ressaltou o representante da UNFPA no Brasil, Harold Robinson.

Robinson observa que o envelhecimento vai exigir mais investimentos dos governos em políticas sociais, assim como maior inserção dos jovens no mercado de trabalho para manter o mesmo nível de produtividade. A representante auxiliar do UNFPA no País, Taís Ferreira Santos, observou que essa questão cria um "mundo paradoxal", pois, nos países ricos, a menor taxa de fecundidade significa menos gente ingressando no mercado de trabalho. "Isso é uma ameaça ao crescimento e ao sistema previdenciário", analisou. Por outro lado, os países mais pobres ainda têm, em média, altas taxas de nascimentos de crianças por cada mulher. "Mas as altas taxas de fecundidade travam o desenvolvimento", comparou. "O relatório mostra uma relação entre desenvolvimento econômico e a redução do crescimento populacional. Famílias menores podem investir mais em saúde e educação", concordou Robinson.

Outros desafios apontados pelo relatório da UNFPA são a redução das desigualdades "entre e dentro" dos países, assim como a necessidade de se manter o crescimento e desenvolvimento sem "exaurir os recursos naturais". Segundo a UNFPA, os 20% mais ricos da população mundial detêm 77% da renda - em 1960 eram 70% -, enquanto os 20% mais pobres reduziram sua participação de 2,3% para 1,5% da renda mundial no mesmo período. Ainda de acordo o documento das Nações Unidas, 828 milhões de pessoas vivem hoje em favelas em cidades espalhadas pelo mundo.

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