Mundo não pode repetir erros sociais de crises passadas, diz OMS

Os governos não devem repetir agora erros cometidos em crises passadas e reduzir investimentos em serviços sociais, alertou nesta quarta-feira a diretora geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, na abertura de uma cúpula de alto nível para debater desigualdades no acesso à saúde.

REUTERS

19 de outubro de 2011 | 16h38

Margaret, que vai comandar a Conferência Mundial sobre Determinantes Sociais de Saúde da OMS realizada no Rio entre quarta e sexta-feira, afirmou que o mundo precisa se concentrar no combate às desigualdades sociais que geram consequências graves para a saúde, e que a crise de dívida que atinge principalmente a Europa neste momento não pode tirar o foco dessa questão.

"Nós não devemos cometer o mesmo erro que fizemos nos (anos) 70", disse ela em entrevista coletiva antes da abertura do evento.

"O que está acontecendo agora é muito similar aos (anos) 70. Tivemos múltiplas crises, de petróleo, alimentos e então financeira, e o resultado dessas perdas foi a redução de muitos governos em investimentos em serviços sociais, incluindo saúde e educação, e por isso que em muitos países os cortes de investimentos causam sofrimento ainda hoje."

Na década de 1970, a economia mundial e, particularmente, a dos Estados Unidos entraram em crise em consequência da alta dos preços do petróleo, primeiro em 1973 e depois em 1979.

Margaret, que é chinesa, ressaltou que a postura de instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial atualmente é diferente do que aconteceu no passado, quando os países com problemas eram cobrados a cortar investimentos sociais.

"Agradeço ao Banco Mundial e ao FMI. Ao contrário dos anos 70, os líderes dessas instituições estão colocando ênfase no investimento em serviços sociais e combate às desigualdades", disse a diretora geral da OMS, afirmando que em 2008 já tinha feito um alerta a ministros da Saúde do mundo todo para que cobrassem de seus governos a manutenção dos investimentos sociais a despeito da crise econômica mundial.

A conferência realizada no Rio, com mais de 120 países participantes e a presença de 60 ministros de Estado, terá como ponto alto a divulgação, na sexta-feira, de uma declaração que oficializará o compromisso político das nações signatárias de redução das desigualdades no acesso a serviços de saúde e na promoção de melhores condições de vida, principalmente para pessoas em situação de vulnerabilidade.

CHAGAS

Antes da abertura do evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que o Brasil vai atender a uma solicitação da Organização Panamericana de Saúde e de instituições como a Médicos sem Fronteira para aumentar sua produção do medicamento para doença de Chagas.

O Benzozidazol, do qual o Brasil é desde 2008 o único produtor mundial, será enviado para pacientes de Bolívia, Colômbia, Venezuela, Argentina e Paraguai. A produção brasileira aumentará em 113 por cento, de 1,5 milhão de comprimidos para 3,2 milhões de unidades.

"Essa capacidade de atendimento foi resultado de uma articulação do Ministério da Saúde com os laboratórios produtores Lafepe e Nortec, juntamente com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O Brasil foi o único país que assumiu o desafio de produzir um medicamento negligenciado, de tecnologia complexa", disse o ministro.

(Por Pedro Fonseca)

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