Murdoch sabia da dimensão do escândalo de escutas, diz advogado

James Murdoch sabia, há mais de três anos, que as escutas telefônicas ilegais no tabloide News of the World, da News Corp., iam além de um repórter "trapaceiro", disse nesta terça-feira a parlamentares britânicos o ex-chefe do conselho legal da empresa sobre a Grã-Bretanha, Tom Crone, contradizendo repetidas negativas de Murdoch.

KATE HOLTON E GEORGINA PRODHAN, REUTERS

06 de setembro de 2011 | 12h47

Pouco depois, em um comunicado, James Murdoch rejeitou essas acusações.

Um comitê que investiga alegações de que as escutas ocorreram em uma escala industrial e eram acobertadas por executivos sêniores disse que James, filho de Rupert Murdoch, tomou conhecimento de que a prática estava mais disseminada do que se pensava, mas não tomou nenhuma atitude.

O advogado Crone também disse que o ramo de jornais britânicos da News Corp. contratou jornalistas free lance para bisbilhotar a vida privada de advogados que atualmente representam as vítimas das escutas, lançando dúvidas sobre a recente postura apologética da empresa.

"Eu vi uma coisa relacionada a dois dos advogados", disse ele a um comitê parlamentar. Ao ser questionado se ele sabia a fonte da informação, respondeu: "Jornalistas free lance contratados pela News International". referindo-se à unidade jornalística britânica da News Corp.

A News Corp foi tragada pelo escândalo de escutas telefônicas desde que se revelou, em julho, que a prática ilegal se estendia além de celebridades e políticos, incluindo vítimas de assassinatos como a estudante Milly Dowler, e os mortos de guerra britânicos.

Crone repetiu que havia explicado a James Murdoch em 2008 o significado de um importante email obtido por uma vítima das escutas, que continha transcrições de mensagens de voz interceptadas e não relacionadas ao repórter que serviu de bode expiatório e que já estava na prisão.

"Esse documento significava um envolvimento maior da News International", disse Crone ao comitê, quando foi instado a explicar o que havia dito a Murdoch em uma reunião que contou com a presença de Colin Myler, o último diretor do tabloide.

Myler e Crone disseram que o email intitulado "para Neville" foi a única razão pela qual Murdoch aprovou um pagamento de 700.000 libras (1,1 milhão de dólares) para a vítima, o executivo de futebol Gordon Taylor.

"Já que ele nos deu a autoridade que estávamos pedindo no contexto do que dissemos a ele, eu entendi que ele compreendeu que pela primeira vez ele percebeu que o News of the World estava envolvido, e que o envolvimento incluía pessoas além de Clive Goodman, e por isso ele autorizou o acordo", disse Crone.

Murdoch, que assumiu o controle das operações europeias da News Corp no final de 2007, disse várias vezes que não sabia na época sobre o email "para Neville" nem que as escutas telefônicas eram algo disseminado. Ele forneceu provas ao comitê e pode voltar a ser questionado.

(Reportagem adicional de Paul Sandle)

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