Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

Museu do Amanhã vai discutir ações do homem de hoje

Prioridade do espaço será refletir sobre impacto humano na Terra; obra no Rio fica pronta em 2013

Heloisa Aruth Sturm, O Estado de S. Paulo

02 Maio 2012 | 19h22

RIO DE JANEIRO - Primeiro do gênero do mundo a tratar das diferentes perspectivas de construção do futuro, o Museu do Amanhã está sendo concebido para abrigar um espaço de reflexão permanente sobre o impacto das ações humanas no planeta. Nesta quarta-feira, 2, o conteúdo do novo museu foi apresentado pela primeira vez, em encontro com a presença de arquitetos, cientistas e autoridades locais no Palácio da Cidade, a sede da prefeitura do Rio.

O Museu do Amanhã é uma iniciativa da prefeitura e da Fundação Roberto Marinho e integra o Projeto Porto Maravilha, um plano de revitalização da zona portuária do Rio.

O pavilhão futurista, que é considerado "o museu das possibilidades", será instalado no Píer Mauá, em uma área verde de 30 mil metros quadrados e avançará na direção do mar, sobre a Baía de Guanabara.

Com curadoria do físico e doutor em Cosmologia Luiz Alberto Oliveira, o museu vai proporcionar aos seus visitantes diferentes experiências interativas, tecnológicas, que vão desde o aparecimento da matéria e o surgimento do cosmos até as complexidades da vida humana e do futuro imaginado.

Novo conceito. "Estamos na Era do Antropoceno, a era em que o homem se tornou uma força de modificação do próprio planeta", disse o curador.

O espaço Antropoceno da exposição promete despertar no visitante a consciência de seu papel no mundo em que vive. "O conjunto das ações humanas alcançou uma tal escala que passamos a ser considerados uma força geológica", afirmou Oliveira. Instalações mostrarão nossos hábitos de consumo e os principais impactos causados por eles no ambiente.

Para a museóloga Vera Lúcia Bottrel Tostes, diretora do Museu Histórico Nacional, o pavilhão trará contemporaneidade à cidade e ajudará a difundir uma nova visão: a do museu como um espaço dinâmico e ativo, tendência que vem sendo adotada também pelos museus mais tradicionais do mundo. "É desafiador ter um museu do futuro, mexer com o imaginário das pessoas e começar a mudar os conceitos", afirmou Vera.

Sustentabilidade. Projetado pelo renomado arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o edifício de 15 mil metros quadrados tem características sustentáveis que permitem a otimização dos recursos naturais disponíveis.

A ideia é atender a critérios de sustentabilidade para que o museu obtenha a certificação americana Leed (sigla em inglês para Liderança em Energia e Design Ambiental). A água da Baía de Guanabara servirá, por exemplo, para a climatização do interior do edifício e também será reutilizada no espelho d’água da construção.

Na fachada, estruturas de aço se movimentarão como asas, mudando a iluminação no interior do prédio e servindo como suporte para placas de captação de energia solar. "Há uma ideia de transformação, uma metáfora de mudança na forma do edifício, que lhe dá um sentido de ser vivo", afirmou Calatrava.

O prédio é apresentado, dessa forma, como um organismo vivo, tornando-se integrado à paisagem urbana do Rio. "É um museu que dialoga com a cidade", disse o arquiteto espanhol.

Orçado em R$ 215 milhões - quase três vezes mais do que a previsão inicial -, o projeto será custeado pela venda de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), títulos mobiliários emitidos pela prefeitura que permitem a construção de empreendimentos imobiliários acima dos limites estipulados em lei. O museu recebeu também investimento de R$ 65 milhões do Banco Santander.

Atraso. O Museu do Amanhã foi inicialmente previsto para ser inaugurado neste ano e chegou a ser idealizado pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB) para que se tornasse a sede oficial da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, que ocorrerá na cidade no próximo mês. No entanto, as obras serão concluídas apenas no fim de 2013, e o museu será aberto ao público em maio de 2014.

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