Na Austrália, Estado inundado reduz crescimento à metade

As recentes inundações da Austrália geraram na sexta-feira mais pressão sobre as finanças públicas e sobre a primeira-ministra, depois que o Estado de Queensland, o mais afetado pela calamidade, reduziu em mais de metade a sua previsão de crescimento econômico e confirmou uma forte queda nas exportações de carvão.

JAMES GRUBEL, REUTERS

28 de janeiro de 2011 | 09h41

A avaliação dos prejuízos em Queensland salienta os desafios enfrentados pela primeira-ministra Julia Gillard, que já foi acusada de promover gastos públicos excessivos e agora tenta obter apoio popular para um pacote de recuperação - o que inclui um novo imposto anunciado na semana passada.

As enchentes deste ano na costa leste australiana mataram 35 pessoas, paralisaram a extração de carvão, arruinaram lavouras e danificaram estradas e ferrovias e destruíram casas.

"As pessoas já sofreram o suficiente sem precisar de um novo imposto", disse o líder oposicionista Tony Abbott, tentando capitalizar o que parece ser uma reação negativa do eleitorado à nova taxa.

O Estado de Queensland, que antes das enchentes estimava crescer 3 por cento no período entre julho de 2010 e junho de 2011, reviu a previsão para 1,25 por cento, e avaliou que os danos na região chegarão a 5 bilhões de dólares.

Por causa das inundações, o Estado deixou de exportar cerca de 15 milhões de toneladas de carvão para siderurgia, ou 5 por cento do total mundial. Queensland responde por um quinto do PIB australiano, de cerca de 1,3 trilhão de dólares, e produz 90 por cento do carvão australiano exportado para siderúrgicas, principalmente na Ásia. O Estado disse que as ferrovias que escoam esse produto devem continuar prejudicadas durante "algum tempo".

"Não podemos nos recuperar o mais rapidamente possível de um desastre devastador, catastrófico, como esse sem ter de tomar algumas decisões difíceis", disse a primeira-ministra regional, Anna Bligh, ao anunciar uma revisão orçamentária.

A inundação fez com que o carvão para siderurgia, que no primeiro trimestre de 2010 era negociado a 209 dólares por tonelada, chegasse a até 225 dólares.

As águas já estão baixando em Queensland, mas continuam sendo uma ameaça no Estado de Victoria, no sul do país.

(Reportagem de James Grubel e Rob Taylor)

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