Na batalha do vinho, Alice Feiring enfrenta Parker

Um brinde com Sébastien Lapaque

O Estado de S.Paulo

08 Julho 2010 | 02h57

The Battle for Wine and Love or how I Saved the World from Parkerization, A Batalha do Vinho e do Amor ou como Salvei o Mundo da Parkerização, de Alice Feiring, é um borbulhante e inteligente passeio pelo mundo do vinho. A jornalista americana, que trabalhou para o The New York Times, não poupa ninguém - principalmente ela mesma.

Os amantes brasileiros de vinho devem procurar o livro em inglês ou francês enquanto esperam a tradução para o português. Alice Feiring é a anti-Robert Parker. Não confia nos vinhos modelados pelas manipulações que seduzem os enólogos modernos: emprego de osmose inversa, micro-oxigenação, acréscimo de taninos, enzimas, leveduras selecionadas e maturação em barris de carvalho novo.

Para ela, o crítico americano é o responsável pelo triunfo dos vinhos "inchados", com excesso de madeira e turbinados que hoje se bebe em toda parte. Sem se preocupar em não ferir suscetibilidades, afirma: "Tenho que levar em conta o poder de Parker se quiser entender por que a maioria dos vinhos que bebo lembra vagamente o ponche havaiano."

Em sua pesquisa, descobriu vinhos que, por desagradarem a certos críticos, não fazem sucesso. São vinhos produzidos com uvas cultivadas em agricultura biológica ou biodinâmica e vinificados naturalmente. Na França, foi no Vale do Rhône, na Borgonha e sobretudo no Loire que ela encontrou os melhores entre estes: Saint Joseph, de Dard et Ribo, Pommard, de Philippe Pacalet, Bourgueil, de Catherine e Pierre Breton.

Um dos melhores capítulos do livro é aquele dedicado à Champagne. Ali ela descobre que grandes vinícolas produtoras de garrafas de preços extravagantes não tomam nem o cuidado de trabalhar o solo de suas vinhas. Alice Feiring se revela um surpreendente cruzamento do Cândido de Voltaire e de um personagem de Woody Allen. No fim do livro, Alice Feiring mantém duas conversações telefônicas com Robert Parker nas quais tenta lhe explicar isso tudo. Nesse momento, a fantasia do escritor toma o lugar do rigor escrupuloso da crítica. E mais uma vez rimos muito.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.