Na Câmara, Mercadante nega envolvimento em dossiê contra Serra

O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, negou nesta terça-feira em reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado ter participado de um esquema para elaborar um dossiê contra o ex-governador de São Paulo José Serra, durante a campanha eleitoral de 2006.

REUTERS

28 Junho 2011 | 12h55

Inicialmente, o ministro foi convidado para falar sobre competitividade econômica. Durante a reunião, no entanto, o próprio autor do requerimento, o senador Lindberg Farias (PT-RJ), pediu que Mercadante prestasse explicações sobre as novas denúncias feitas sobre o caso pela revista Veja.

A manobra serve para evitar uma nova convocação do ministro na Câmara dos Deputados para falar sobre o caso, que ficou conhecido na época como o "escândalo dos aloprados".

Mercadante contestou a reportagem da revista, que faz ligação entre ele e o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, que também concorria ao governo em daquele Estado em 2006, para financiar a investigação contra Serra.

Segundo ele, essa versão não é nova e foi ventilada à época. "Isso só voltou agora porque o Quércia está morto", disse o ministro. "Eu jamais procurei Orestes Quércia, qualquer pessoa da campanha dele, da família dele. Não para de pé no meu ponto de vista essa ilação", afirmou.

Segundo a revista, com base em gravação de uma conversa do petista Expedito Veloso, atual secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, com outros colegas de partido, Mercadante teria participado das negociações para compra do suposto dossiê, que seria financiado na sua maior parte por Quércia.

Segundo a Veja, o ex-governador peemedebista se beneficiaria, em caso de derrota de Serra nas eleições, participando de um futuro governo comandado por Mercadante.

"Todos sabem com quem o Quércia se relacionava politicamente", disse o ministro em referência às ligações do ex-governador com o PSDB em São Paulo.

Mercadante afirmou ainda que o suposto operador do esquema, Hamilton Lacerda, foi seu assessor por cinco meses na campanha eleitoral de 2006 e que pediu demissão após ter ido à revista IstoÉ com o objetivo de divulgar o suposto dossiê. "Quando eu soube eu o demiti", disse o ministro.

Ele citou ainda que Lacerda disse em uma Comissão Parlamentar de Inquérito Mista na Câmara, em 2006, que tomou todas as iniciativas relacionadas ao caso pessoalmente, "como militante partidário", isentando Mercadante.

O ministro afirmou que as denúncias são velhas e voltou a frisar que tanto o Ministério Público quanto o Supremo Tribunal Federal o isentaram de culpa e inclusive condenaram seu indiciamento à época pela Polícia Federal.

"Foram feitas quatro auditorias sobre as minhas contas de campanha, tudo checado e não há qualquer envolvimento da minha campanha", disse.

O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), disse que as denúncias são antigas, mas argumentou que há fato novo por conta da gravação obtida pela revista de Expedito Veloso. Dias disse ainda que Mercadante foi o "autor intelectual" e estava tentando transferir a responsabilidade das novas denúncias para um morto, Quércia.

Mercadante também questionou uma outra reportagem da revista Veja que acusa a atual ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Ideli Salvatti, de ter participado de uma reunião para traçar a estratégia de divulgação do suposto dossiê. Na segunda-feira, Ideli divulgou nota negando seu envolvimento.

Descontente com as explicações, o líder tucano disse que tentará convocar ao Senado, a ministra Ideli, a ex-senadora petista Serys Slhessarenko, do Mato Grosso do Sul, de onde teriam saído as denúncias do suposto dossiê, e Veloso.

(Por Jeferson Ribeiro)

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