Na Câmara, PR decide temporariamente não migrar para a oposição

Após um longo debate de aproximadamente quatro horas, os deputados do Partido da República (PR) decidiram na noite de terça-feira que não farão oposição ao governo, mas a decisão é temporária já que os parlamentares da legenda pretendem aguardar a reunião da Executiva para ter uma posição nacional.

REUTERS

21 Março 2012 | 08h16

O líder da bancada, deputado Lincoln Portela (MG), afirmou que seus colegas estão divididos e, por isso, preferiram não adotar uma posição semelhante à dos senadores do partido que na semana passada anunciaram que farão oposição à presidente Dilma Rousseff.

"A reunião revelou que há um foco maior de insatisfação do que se pensava", disse Portela, lembrando que esse descontentamento pode ser sentido em vários partidos aliados.

Na terça-feira, o presidente do PR, senador Alfredo Nascimento (AM), disse, após se reunir com os dirigentes regionais da legenda, que deve convocar a Executiva Nacional entre o final de março e o começo de abril. Segundo ele, não há uma tendência definida.

Portela e Nascimento disseram, porém, que se o partido migrar para a oposição não será uma atuação "raivosa".

Contudo, o senador afirmou que deve assinar a CPI da Saúde, que o PSDB tenta emplacar no Congresso, porque "resolveria os problemas" do setor. E o deputado disse que votaria contra a venda de bebidas alcoólicas durante a Copa do Mundo durante a votação da Lei Geral da Copa.

Ou seja, mesmo sem raiva, os votos do PR já migram para posições díspares das do governo. O partido tem sete senadores e 40 deputados.

A saída de Nascimento do comando do Ministério dos Transportes em julho do ano passado em meio a denúncias de irregularidades foi o estopim para a deterioração da relação entre a legenda e o governo e, na época, a sigla anunciou que atuaria de forma independente no Congresso.

Desde então, as ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais) mantiveram um diálogo com integrantes do PR para que eles voltassem à base aliada, mas na semana passada os senadores disseram que não havia mais espaço para negociação.

Nascimento disse que "nada é irreversível na política", mas admitiu que a relação difícil do partido com o governo federal está contaminando a posição dos diretórios regionais da legenda.

O partido reivindica, principalmente, voltar ao comando da pasta dos Transportes, pois não reconhece o atual titular, Paulo Sérgio Passos, como representante da sigla, apesar de ele ser filiado ao PR.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

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