Na contramão, China e EUA mantêm programa

Após acidente em Fukushima, governo chinês continua obras de reatores em construção; nos EUA, cai apoio popular à ampliação

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

05 Junho 2011 | 00h00

Apesar da pressão popular após o acidente na usina de Fukushima, no Japão, os Estados Unidos mantiveram seu programa de energia nuclear. Na China, o governo anunciou a revisão das normas de segurança e informou que não haverá cancelamento dos reatores que já estão em construção.

O terremoto no Japão afetou, pelo menos temporariamente, os esforços do presidente Barack Obama para ampliar o uso de energia nuclear nos EUA, considerada menos poluente. O apoio entre a população diminuiu e a Comissão Regulatória Nuclear (CRN) investiga a segurança das plantas.

Há três anos, 57% dos americanos apoiavam a ampliação, contra 43% no mês passado, segundo a rede de TV CBS. Ainda assim, o número de defensores é nove pontos porcentuais maior que nos meses seguintes ao acidente de Chernobyl. Ao longo dos anos, voltou a subir, mas sem voltar aos 69% de 1977.

Buscando acalmar a população, a CRN criou um grupo para verificar a segurança das usinas depois de Fukushima. "Todas as plantas nucleares levam em consideração eventos sísmicos e maremotos", diz a entidade.

China. A China possui 14 reatores e outros 25 estão em construção, de um total de 34 aprovado em dezembro. Segundo o governo, não haverá atraso na entregue dos reatores que já estão sendo construídos.

Em 2010, as usinas nucleares geraram 10,8 GW de energia e o objetivo, pelo menos até a crise de Fukushima, era chegar a 70 GW até o fim da década, em um dos mais ambiciosos planos de expansão de projetos atômicos do mundo - toda a capacidade de geração instalada do Brasil é de aproximadamente 120 GW.

Com o aumento, a participação das fontes nucleares na matriz energética passaria de pouco mais de 1% para quase 5%. O carvão, mais poluente entre os combustíveis fósseis, responde por 80% do consumo energético do país, que cresce em média 10% por ano há três décadas. Para sustentar esse ritmo, a China precisa adicionar o equivalente a uma Inglaterra por ano em seu parque de geração de energia.

Nesse cenário, as usinas nucleares são essenciais para o país cumprir a meta de ter 15% de sua matriz energética suprida por fontes não fósseis, que incluem hidrelétrica, eólica e solar - juntas, elas respondem por 8% da capacidade instalada atual.

O acidente de Fukushima aumentou a preocupação, mas não reduziu a ambição. Em encontro realizado em Tóquio, em maio, o presidente da Coreia do Sul e os primeiros-ministros da China e do Japão reafirmaram a importância da energia nuclear, ao mesmo tempo em que prometeram intensificar a cooperação em questões de segurança.

A China é um dos países que mais investem no desenvolvimento de fontes não poluentes de energia, mas o impacto global é relativamente pequeno, em razão do rápido aumento da demanda. Em março, logo após o terremoto no Japão, o vice-secretário da Associação de Energia Nuclear da China, Xu Yuming, disse que a capacidade das usinas atômicas locais deverá alcançar 200 GW em 2030 e 400 GW em 2050, quando terão participação de 5% na matriz energética. / CLÁUDIA TREVISAN / PEQUIM

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