Na direção do trio, motorista diz ser único que não pode errar

Uma freada mais brusca e a festa demilhares de foliões pode ser interrompida. Com o peso dessaresponsabilidade, os condutores dos trios elétricos saem pelasruas de Salvador todos os dias de Carnaval, abrindo caminhopela multidão. O toque nos pedais de freio, embreagem e acelerador tem queser harmonioso, pois qualquer deslize pode derrubar os músicosque tocam, cantam e dançam em cima do "palco sobre rodas." "O baterista pode errar, o guitarrista pode errar, e aprodução pode errar, mas eu não posso errar," disse CíceroPereira de Souza, o Dedé, motorista principal do trio deDaniela Mercury. "Tudo o que ela tem está nas minhas mãos,"acrescentou o motorista, que transporta a cantora pelo segundoano consecutivo. Os caminhões atuais pouco lembram a Fobica, um Ford 1929,que em 1951 levou Dodô e Osmar e o som eletrizante de suasguitarras baianas para as ruas de Salvador, mudando para semprea forma de brincar o Carnaval. Os atuais trios chegam a pesar60 toneladas e medem um pouco mais de 25 metros de comprimento. As cabines tem ar-condicionado e bancos ajustáveis, parareduzir o desconforto físico dos motoristas, que conduzem pormais de cinco horas seguidas em marcha lenta. "Antes a gentefervia como chaleira de tanto calor," lembrou Dedé, que há 16anos leva trios pelas ruas de Salvador. As carrocerias são equipadas com dois geradores a dieselque fornecem energia para os potentes sistemas de som e luz. Osartistas têm direito a camarim com banheiro privativo,televisão, aparelho de DVD, forno de microondas e frigobar. Aospoucos, os banners que envolvem as laterais dos trios com asmarcas dos patrocinadores estão sendo substituídos por painéiseletrônicos de led e TV plasma. O trio de Daniela Mercury, o único com dois andares, tematé elevador para levar a cantora e seus bailarinos para otopo. ORDENS OPOSTAS Com um número cada vez maior de trios nas ruas de Salvador-- por dia podem sair até 25 trios em um único circuito- aPolícia Militar tem sido rigorosa para evitar grandes atrasos.E quem sofre é o motorista, que muitas vezes é obrigado adesobedecer a ordem dos artistas. "Segura o trio, por favor," pediu Daniela Mercury na noitede segunda-feira ao passar em frente ao seu camorote noCircuito Barra/Ondina. Na frente do caminhão um fiscal de pistafazia sinal para Dedé manter o caminhão em movimento. A indecisão sobre a quem obedecer acabou no momento em queele viu o tenente coronel Amâncio da Polícia Militar seaproximar da cabine do caminhão. Tirou o pé do freio eimediatamente ouviu a cantora reclamar ao microfone . "Ele pode me dar ordem de prisão por desacato à autoridade,não é brincadeira não," justificou Dedé, que seguiu com otrio.

RAQUEL STENZEL, REUTERS

05 de fevereiro de 2008 | 23h52

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