Na entressafra, produtor faz adubo verde

Prática melhora a fertilidade do solo, reduz o impacto da água da chuva e protege a terra da radiação solar direta

Ana Maria H. de Ávila, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2010 | 02h25

Em maio as chuvas mais frequentes e de maior volume foram registradas no sul do Estado, chegando a 121 milímetros em Iguape. Na maioria dos municípios analisados, a chuva registrada ficou abaixo da média histórica. As temperaturas se mantiveram na média, com a entrada de duas massas de ar frio, uma no fim da primeira quinzena e outra em meados da segunda quinzena. Não houve, porém, danos à agricultura.

Esta última semana seguiu o padrão de maio. As temperaturas se mantiveram entre a máxima de 26 graus e a mínima de 14,5 graus, chegando a 8 graus em Itapeva. A reserva de água no solo seguiu com tendência de declínio, chegando a 22% em São José do Rio Pardo e 29% em Votuporanga. Iguape e Itapeva são as regiões mais beneficiadas pelas chuvas das últimas frentes frias.

Doença. O tempo favorece a colheita da laranja, que deve se estender pelos próximos meses no Estado. Os citricultores não estão animados com a safra, compensada parcialmente pelos preços que são bem superiores em comparação aos da safra anterior.

Com as fortes chuvas no fim do ano passado e início deste ano, houve incidência de pragas e doenças. O calor e a alta umidade aumentaram as brotações e criaram o ambiente propício para a reprodução do inseto causador do greening, o que exigiu pulverizações mais frequentes elevando o custo de produção.

A frente fria que passou no último fim de semana não chegou a atrapalhar a colheita do feijão segunda safra, que segue em ritmo acelerado em Piracicaba, Itapetininga, Paranapanema e Casa Branca. Com a pouca oferta do produto no mercado, provocada pela menor quantidade colhida na safra principal, os preços estão em alta.

Os agricultores aproveitam o período de entressafra para fazer adubo verde, que ajuda a fixar o nitrogênio nas raízes melhorando a fertilidade do solo. A vegetação diminui o impacto da água da chuva e da incidência direta da radiação solar na terra, protegendo o solo. Os agricultores que adotam essa técnica têm produtividade da safra principal aumentada. As espécies mais usadas são o nabo forrageiro, o sorgo, o milheto, a aveia e o tremoço.

O tempo favorece a colheita e o transporte da cana-de-açúcar, permitindo que as usinas recuperem a colheita da safra passada. O tempo mais seco ainda favorece a maturação e a colheita de café em Arceburgo, Piraju e São José do Rio Pardo.

ANA MARIA H. DE ÁVILA É PESQUISADORA DO CEPAGRI/UNICAMP. PARA MAIS INFORMAÇÕES SOBRE TEMPO E CLIMA, ACESSE WWW.AGRITEMPO.GOV.BR

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