Na Grécia, mosteiros em um cenário inesperado

Só a paisagem natural de Meteora já valeria a viagem. Mas nesse oásis espiritual os turistas ainda têm a chance de conhecer a rotina dos monges e ver relíquias históricas

June Locke Arruda, ESPECIAL PARA O ESTADO,

09 de fevereiro de 2011 | 08h00

 

 

Nada supera o impacto da chegada a Meteora, na Tessália, Grécia. A paisagem é inesperadamente grandiosa, tão surreal que tudo o que você consegue fazer é suspirar. São penhascos ásperos, cinzentos, que mais parecem estalagmites gigantescas. Ao redor, um bosque. Lá no alto, 21 mosteiros incrustados nas rochas. Coisa de cinema.

 

Só depois de muito admirar você vai começar a imaginar como os primeiros eremitas superaram a geografia da região para construir os mosteiros na superfície das pedras. E isso há 700 anos. Desde essa época, Meteora é um oásis espiritual. Um lugar de encontro, obediência e fé. De silêncio e solidão.

Embora haja indícios da presença de eremitas desde o ano 1000, a primeira comunidade monástica de Meteora floresceu no século 14, quando começaram a ser erguidas as primeiras edificações. Ganhou importância nos séculos 15 e 16 e depois entrou em um longo período de declínio - o lugar foi bombardeado na Segunda Guerra e teve muitos tesouros saqueados. Seu reconhecimento histórico veio apenas em 1988, quando Meteora foi incluída na lista de Patrimônios da Humanidade da Unesco.

Hoje, dos 21 mosteiros, apenas 6 funcionam e estão abertos aos turistas. Os visitantes, porém, não podem ir além de pátios, jardins interiores, igrejas e museus. Tudo para não atrapalhar a rotina dos monges, que seguem em reclusão.

 

Para conhecer cada detalhe desse patrimônio, reserve pelo menos três dias. As cidadezinhas de Kalambaka e Kastraki são as melhores bases, com opções de hotéis e restaurantes. Contratar um guia é fundamental.

 

O acesso aos mosteiros é feito por longas escadarias, pontes e trilhas pelos penhascos. As antigas escadarias de corda, por onde subiam os monges, agora servem apenas para o transporte de alimentos e produtos.

 

Para o alto. Na subida, mais uma vez, você vai perder o fôlego. Chegar ao topo das rochas não é tão fácil assim. Mas cada ângulo do cenário ao redor recompensa. Sem falar nos milhares de tesouros guardados que estão à mostra: manuscritos, pergaminhos, relicários...

 

A visita também é uma boa oportunidade de conhecer a forma como vivem os monges. Eles dividem o dia em três períodos de oito horas. Rezam, trabalham e estudam - muitos se dedicam à pintura e à música bizantina.

 

O Metamorphossis (ou Great Meteoron) é o maior dos mosteiros e também um dos mais interessantes. Foi construído em 1387 em homenagem à Transfiguração de Jesus Cristo. Em seu museu, guarda objetos inestimáveis, como a tapeçaria bordada e os frescos que mostram a pintura bizantina.

 

O museu do Roussanou é outra maravilha. Ali o turista vê cruzes esculpidas em madeira e prata, manuscritos com capas gravadas em ouro e outros objetos litúrgicos. No Varlaam, o segundo maior dos mosteiros, o destaque é a cúpula cruciforme pintada em 1548 pelo artista Frangos Katelanos de Creta. E também heranças como os cinturões de ferro dos fundadores do templo e o evangelho dedicado ao imperador Constantino.

 

Um dos mais acessíveis - são poucos os degraus que levam até ele -, o Agios Stephanos possui dois templos em edifícios grandiosos. O museu funciona no antigo refeitório e o que chama atenção são os preciosos afrescos, infelizmente muito danificados pelo tempo. Os afrescos também são a principal atração nas paredes e no teto da igreja do mosteiro Agios Nikolaos.

 

Por outro lado, o Agias Trias, mosteiro da Santíssima Trindade, é o mais difícil de se alcançar. O visitante precisa atravessar o vale e encarar 150 degraus na rocha, mais um teleférico, até a porta de entrada. Em compensação, tem uma privilegiada vista que até serviu de cenário para algumas cenas do filme 007 Missão Ultra-Secreta (1981). Vista para os penhascos, os bosques, os mosteiros. Coisa de cinema.

 

 

 

 

Saiba mais

Como chegar: SP-Atenas-SP custa R$ 1.549 na Air France e R$ 1.757 na British. Kalambaka e Kastraki estão a 352 km de Atenas - dá para ir de carro, trem ou ônibus

 

 

 

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