Na praça, uma cozinha de cores e aromas

Rodrigo Brancatelli,

24 de junho de 2010 | 12h00

Restaurante comunitário. Centenas de barracas de comidas ocupam o Djemaa el Fna

 

 

A cada passo, a cada esbarrão, a cada tropeço, tudo muda. Vozes, músicas, cores, gestos, cheiros. Nada no espetáculo de Djemaa el Fna é ensaiado ou coerente, pelo contrário. Ali na principal praça de Marrakesh, no Marrocos, o caos parece ser o principal tempero. É um mercado a céu aberto, um imenso restaurante comunitário, uma festa medieval, um salão de baile, um zoológico, uma clínica psiquiátrica, um lugar mágico onde a alma marroquina encontra seu significado.

 

Djemaa el Fna quer dizer, literalmente, "lugar do morto" - até a década de 30, era onde os marroquinos orgulhosamente exibiam as cabeças de seus inimigos. O local, no entanto, transborda de vida. Sem forma ou limites bem delineados, a praça funciona como o coração de Marrakesh, um lugar turístico habitado por adestradores de babuínos, encantadores de serpentes, músicos, pregadores, dentistas, vendedores de poções mágicas e picaretas de toda sorte.

 

À noite, centenas de barracas são erguidas, e o endereço vira um monstruoso mercado, uma cozinha com mais de 10 mil m2, em que quase todo morador de Marrakesh vai jantar.

 

"Senta aqui, vem comer aqui", gritam dezenas de homens com aventais brancos. Vendedores puxam você a cada instante, tentam convencê-lo a sentar e a comer alguma coisa - pelo menos é isso que parece, uma vez que boa parte deles só fala árabe.

 

A escuridão da Djemaa el Fna só é irrompida por lâmpadas das barracas, pelo minarete iluminado da mesquita Koutoubia e pela queima de carvão.

 

Os cardápios são extensos. Sopas, ensopados, berinjelas fritas deliciosas, espetinhos e vários pratos indecifráveis para quem tem pouco conhecimento de francês e árabe. Os preços não passam de 30 dirhams por porção (cerca de R$ 6). As surpresas não param na gritaria em árabe. Quando o vendedor chegou com as porções que eu havia pedido, uma pessoa sentada ao meu lado na mesa resolveu roubar pedaços do meu frango. Argumentar como, se não sei árabe?

 

Em cinco minutos, os pedidos do comilão chegaram. Havia berinjela, legumes assados, frango, cordeiro... Sem pestanejar, ele começou a encher o meu prato com comida, dividindo sua refeição, novamente sem mais nem menos. Coisas de Djemaa el Fna.

 

 

 

NÃO PERCA!

 

As berinjelas fritas e os espetinhos de cordeiro

No Djemaa el Fna, mercado na praça central de Marrakesh

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