Na rota dos pubs, bons goles e uma garçonete meio nervosa

O caminho da Cidade Velha até o Castelo de Praga permite uma visita às produções de três cervejarias da nova geração da República Checa. Ao pé da imensa escadaria que leva ao castelo, no número 2 da Rua Nerudova, fica o pub U Kocoura, ou o Gato, que vende uma versão não filtrada da Bernard, outra famosa pilsen local.

Roberto Fonseca, O Estado de S.Paulo

08 Julho 2010 | 02h57

A cervejaria foi aberta como negócio familiar em 1991, virou empresa em 2000 e, no ano seguinte, a belga Duvel Moortgat comprou 50% de suas ações. A cerveja em questão rivaliza com a Urquell não filtrada, com um pouco menos de notas de lúpulo no aroma e sabor, mas amargor ligeiramente mais "afiado" e espuma mais cremosa.

Passando o castelo, a próxima parada é na cervejaria Strahov, que funciona no prédio de um antigo monastério. O local abrigaria produções cervejeiras desde o final do século 13. Após 90 anos de pausa, a fabricação de cervejas lá foi retomada com a Strahov em 1997.

Há duas receitas na linha fixa da casa: uma excelente amber lager, com notas destacadas de lúpulo floral e cítrico combinadas ao malte caramelo, com amargor destacado; e uma dark lager, com balanço entre chocolate e malte torrado e final seco.

Os garçons parecem estar numa incessante maratona. Vá ao balcão e pergunte pelas cervejas especiais. Cuidado apenas para não se distrair olhando as prateleiras onde ficam as cervejas engarrafadas sazonais e bloquear a passagem de uma garçonete de meia-idade com uma bandeja cheia. Ela costuma ficar bem irritada.

Se ainda tiver forças, a próxima parada fica bem ao lado da Strahov, no restaurante Velka, também na área do mosteiro. Ele serve outra marca artesanal, a Matu?ka, em duas versões: weissbier e dunkel.

Em outra rota, próximo do Rio Vltava, há uma feliz coincidência entre atrações turísticas e cervejeiras. Apelidado de Ginger e Fred, o "edifício dançante" no número 80 da Ra?ínovo nábrezí tem um bar que serve duas receitas da Koutsky: uma pilsen e uma lager escura.

Nem tudo, porém, é garantia de boas degustações. Escolhi para despedida da República Checa uma visita à microcervejaria U Medvídku, ou Os Ursinhos, aberta em 2005. Mas os dois principais chopes, o 1466 e o Oldgott, pareciam ter problemas de contaminação. Boa parte das tentativas de explicar o problema deve ter se perdido em traduções. Apesar disso, pelos comentários positivos de degustadores mundo afora, pode ter sido um mau dia. Vale nova visita para provar a estrela da casa, a X-33, com 12,6% de álcool e maturação em madeira.

Entrei no trem com a impressão de que era minha penitência por ter demorado tanto para reverenciar uma das cervejas mais famosas do planeta, a Pilsner Urquell.

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