Na Síria, enviado da ONU pressiona por cessar-fogo

O mediador internacional Lakhdar Brahimi vai se encontrar com autoridades sírias nos próximos dias, num esforço para garantir um breve cessar-fogo na pior guerra entre as forças do presidente Bashar al-Assad e os rebeldes.

MARWAN MAKDESSI, Reuters

19 de outubro de 2012 | 18h20

Brahimi, que chegou à capital Damasco na tarde desta sexta-feira, se reunirá na manhã de sábado com o ministro das Relações Exteriores, Walid al-Moualem, disse o porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU) em Damasco, Khaled al-Masri. Ele não disse se o enviado se encontraria com Assad.

"Vamos falar sobre o cessar-fogo e a questão síria em geral. É importante diminuir a violência, vamos falar com o governo, os partidos políticos e a sociedade civil sobre a questão da Síria", disse Brahimi a jornalistas em sua chegada.

A violência não mostrou sinais de enfraquecimento. Ativistas da oposição relataram duros confrontos de rua em Aleppo, maior cidade da Síria, e houve intensificação nos bombardeios do Exército das cidades ao longo da estratégica rodovia norte-sul.

No Líbano, um carro-bomba explodiu no centro de Beirute durante a hora do rush nesta sexta-feira, matando uma importante autoridade de segurança e outras sete pessoas, o que aumenta os temores de que a guerra na Síria está agravando as tensões em seus vizinhos.

Brahimi, enviado conjunto da ONU e da Liga Árabe, viaja pela região com o objetivo de convencer os principais defensores de Assad e seus adversários a apoiarem uma trégua durante o festival islâmico de Eid al-Adha na próxima semana.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o chefe da Liga Árabe, Nabil Elaraby, manifestaram apoio a um cessar-fogo. "Quanto mais a violência dura, mais difícil será encontrar uma solução política e reconstruir a Síria", disseram eles em um comunicado conjunto.

O ministro turco das Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, pediu que todos os lados cumpram o cessar-fogo de três ou quatro dias.

"É importante que o regime sírio, que bombardeia seu próprio povo com aviões de combate e helicópteros, interrompa esses ataques imediatamente e incondicionalmente", declarou Davutoglu em Ancara.

O Irã também apoiou o apelo de cessar-fogo, mas acrescentou que o principal problema na Síria é a interferência estrangeira, uma referência ao apoio para os rebeldes realizado por Turquia, Estados do Golfo Árabe, Estados Unidos e outras potências ocidentais.

"Consideramos o estabelecimento de um cessar-fogo imediato um passo importante para ajudar o povo sírio", afirmou o vice-chanceler iraniano, Hossein Amir Abdullahian, citado pela agência de notícias Mehr.

"A Síria tem tomado medidas importantes contra o terrorismo e a interferência estrangeira, e está buscando reformas políticas e a segurança do país."

Apesar das palavras de apoio de financiadores das facções em guerra, a tarefa de assegurar até mesmo um cessar-fogo temporário é assustadora em um intenso conflito que já matou mais de 30.000 pessoas em 19 meses.

Um cessar-fogo anterior, em abril, fracassou depois de alguns dias, com cada lado culpando o outro. Frustrado, o então mediador Kofi Annan renunciou a seu posto poucos meses mais tarde. A trégua da próxima semana seria autoimposta, sem observadores internacionais.

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