Na trilha do mangá, um sorvete de chá

Doces vendidos nas kanmidokoros são simples e reconfortantes

Thiago Minami ESPECIAL PARA O ESTADO / TÓQUIO,

02 de setembro de 2010 | 09h24

Os doces japoneses podem ser tão belos e sofisticados quanto as mais finas criações das pâtisseries francesas. Mas também podem ser simples e reconfortantes como goiabada com queijo.

Nesta última categoria, estão os vendidos nas kanmidokoros, as "casas do doce". Os mais comuns são variações da sopa quente de feijão doce com moti e a raspadinha com calda de frutas.

 

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Mas o encanto das kanmidokoros vai além dos doces. São lojas com décadas de tradição e ambiente que fazem você imaginar como era o Japão antes das supermáquinas e dos sushis servidos em esteiras rolantes. São salões pequenos onde raramente se sentam mais de dez pessoas. Sobre o parapeito das janelas, manekinekos (gatinhos da sorte) abanam a pata para os clientes. Vasos com flores de plástico acumulam poeira, e rádios velhos tocam músicas que já não se ouvem mais nas grandes lojas. Têm um ar de bagunça comum às casas das avós japonesas.

Minha kanmidokoro favorita é a Umemura, no bairro de Asakusa, em Tóquio. Conheci essa loja pelo Gourmet, o mangá de Jiro Taniguchi e Masayuki Kusumi. Nele, o protagonista, um trabalhador que está sempre com fome, quer comer um doce, mas tem vergonha de ir sozinho a uma kanmidokoro. O estômago vence e o leva à Umemura. O livro não traz endereços e às vezes muda o nome dos restaurantes. Mas o estilo realista do traço não deixa dúvida sobre qual é o local.

No Japão, quando um restaurante tem um produto para levar para casa é geralmente atendendo a pedidos de clientes que aprovaram e querem compartilhar. Por isso, contrariei o personagem do mangá, que pediu um mamekan (feijão preto com gelatina de agar-agar), e provei o anmitsu (sorvete de chá-verde, gelatina de agar-agar, doce de feijão, mexerica em conserva e moti). Virou meu doce japonês preferido.

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