Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Na USP, trote é voluntário

Após a matrícula, os ''bixos'' podiam optar por participar ou ir embora; uma tenda acolheu pais

Mariana Mandelli, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2011 | 00h00

Para se sentirem mais seguros na hora de levar o tão esperado - e temido - trote, muitos calouros da Universidade de São Paulo (USP) levaram os pais para participar do primeiro dia de matrícula, que ocorreu ontem.

A presença da família tornou ainda mais divertidos os banhos de farinha, ovos, tinta e leite condensado.

Na lateral da arena onde ocorreu o trote da Escola Politécnica, foi erguida a "barraca dos pais", onde as famílias podiam assistir a tudo. "Não esperava uma recepção tão organizada. A gente tem tanto medo do trote, mas me deram até água", disse Virgínia Kuratomi, de 54 anos, mãe de Raphael, de 17, calouro de Engenharia Mecânica.

O calor de 34°C serviu como desculpa para os "bixos" rolarem na lama e usarem as duchas instaladas para o evento, que também contou com futebol de sabão e tobogã.

Só participou dos trotes da Poli quem quis. O mesmo ocorreu em outras unidades, como a Faculdade de Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA). Depois da matrícula, os calouros podiam optar por ir embora ou passar pelo trote. Quem escolheu a última opção foi pintado com tinta e levou banho de mangueira. Alguns foram enrolados com fita adesiva e barbante. Outros tiveram de se abaixar para os veteranos passarem por cima.

No entanto, ninguém se sentiu humilhado. "É tudo muito saudável", disse Tania Mardegan, de 57 anos, mãe de Ivan, de 22, aprovado em Economia. "Fui muito bem acolhido, só fiz o que quis", diz ele.

O sentimento geral entre pais e novos alunos era de orgulho por entrar na USP. "Estou muito feliz", disse Cinthia Neri, de 19 anos.

Cerveja. Apesar de proibido pela USP, o consumo de bebidas alcoólicas foi flagrado diversas vezes pela reportagem, em diferentes unidades. Em algumas, como a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), latinhas de cerveja eram vendidas pelos veteranos. "A gente faz isso para se opor à regra", disse um aluno do 2.º ano de Arquitetura.

A USP afirmou que vai apurar as denúncias. Para coibir ações violentas, a reitoria divulgou um disque-trote (0800-012-1090). Hoje é o último dia de matrícula para a primeira chamada. Mais informações no site fuvest.br.

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