Na velha sede da Cofap, empresário enfrenta múltis

A Flexyon vai disputar mercado de molas com Goodyear e Firestone

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

09 Dezembro 2009 | 00h00

Um dos prédios desativados pela antiga Cofap, que já foi a maior fabricante de autopeças na América Latina, vai abrigar, a partir de hoje, uma nova empresa do ramo automobilístico. Criada por um engenheiro brasileiro, a Flexyon vai produzir molas pneumáticas para o mercado de reposição, mas tem planos de atender montadoras de caminhões e ônibus. A estreante disputará mercado dominado pelas multinacionais Goodyear e Firestone.

Instalada em Santo André, no ABC paulista, em edifício antes pertencente à Cofap - hoje Magneti Marelli - a Flexyon recebeu investimento de US$ 2 milhões para produção anual de 45 mil peças. Em três anos, o volume deve atingir 300 mil unidades, diz Daniel Nicolini, dono da empresa, que pretende investir mais US$ 3 milhões.

Engenheiro mecânico que nos últimos 23 anos trabalhou na Goodyear, Nicolini, hoje com 49 anos, diz que o mercado brasileiro de molas pneumáticas, calculado em 8 milhões de peças/ano, "é carente", pois as grandes fabricantes de pneus não suprem sua necessidade. "Há grandes oportunidades nesse setor no Brasil, na América Latina e no mundo todo."

As molas pneumáticas servem de suporte às cargas e eliminam vibrações. Além dos veículos pesados, são usadas em máquinas industriais e começam a chegar aos automóveis. "As grandes fabricantes priorizam outras linhas de produtos e nós vamos atender essa demanda específica com agilidade e qualidade", diz Nicolini. O nome da empresa significa flexível em alemão, diz. O próprio Nicolini desenvolveu equipamentos para a fábrica, como prensas para vulcanização.

Inicialmente serão contratados 25 funcionários, número que irá gradativamente a 120 depois que a produção em série começar, em janeiro. A instalação da Flexyon foi feita em tempo recorde. Nicolini conta que, ao deixar a Goodyear, no início do ano, inscreveu-se no programa Aprendiz, apresentado por Roberto Justus, na edição em que ele buscava um sócio. "Concorri com 43 mil candidatos e fiquei entre os 16 finalistas que participaram do programa." Foi eliminado na quarta semana de provas, após problemas físicos.

"Precisei de cinco meses para me recuperar." Nesse período, decidiu criar a própria empresa. Aproveitou a crise para adquirir equipamentos por preços mais em conta. Além do mercado interno, vai exportar as molas e já tem distribuidores na Argentina e no Uruguai e representante no Chile.

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